Viajávamos pelo norte da Califórnia & sul do Oregon em fevereiro, no meio daquelas florestas de coníferas sem fim. Em dado momento, a estrada saiu um pouco do litoral, e nós então avistamos a seguinte placa: “Elk crossing”. Engraçado, pensamos. E seguimos em frente, achando no fundo que um maroto qualquer colocara a placa ali de peraltice.

Mas bastou dirigir 5 minutos e perceber que a parada era séria: do lado da estrada estava uma manada de alces. Havia no acostamento a entrada para um pequeno estacionamento, e nós paramos ali um pouco para ver esses bichos no pequeno alagado. Eram umas 10 da manhã e eles estavam ruminando/descansando. Só havia um macho ali (o único com galhos na cabeça), o resto do bando eram as fêmeas de seu harém – ter haréns é um comportamento comum dos alces. O macho, como chefe do bando, ficava de olho em todo e qualquer movimento ao redor, e quando chegamos, percebemos que a primeira placa próxima da área alertava para não nos aproximarmos, porque eles são agressivos: avançam tentando defender o harém. Entretanto, era inverno, quando os níveis de testosterona nos machos da espécie estão mais baixos (e a galhada está crescendo), então era mais provável que eles nada fizessem – podíamos tentar nos aproximar. Mas, seguro morreu de velho: preferi ficar de longe observando os alces; André chegou um pouco mais perto, para fotografar melhor. Ficamos um tempo no local, mas os alces pareciam não querer saber de conversa: dormir e comer eram prioridades naquele momento. Nenhum se movia, nada fizeram para ameaçar nossa visita, foram dóceis como pôneis.

Os alces ali, na beira da estrada, também me atiçaram a curiosidade: e se um deles resolve atravessar a estrada? Será que existem muitos acidentes causados por alces na Califórnia/Oregon? Por que gostam tanto da área que é adjacente à rodovia? Será que o barulho dos automóveis não os assusta/incomoda? E o que comem ali? Imaginei um alce saindo pelo acostamento à noite – um susto daqueles para qualquer motorista. Perigo galhado e bravio.

Além das divagações mallescas, aceito aqui também sugestões criativas de legenda para essa cena cervídea do Oregon, tão inusitada quanto (felizmente) pacata.

Tudo de alce sempre.

Lucia Malla

Uma Malla pelo mundo.

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Lucia Malla

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