Quando estávamos planejando nossa viagem de dezembro passado, um dos pontos “obrigatórios” que queríamos visitar era a Nova Caledônia. Principalmente pelo fato de lá estar a maior laguna do mundo, com alguns dos corais mais impressionantes, mais extensos e mais biodiversos do planeta – patrimônio natural da UNESCO, vejam só. Queríamos fazer pelo menos um mergulho em Noumea.
Mas também queríamos visitar nossa amiga Silvia. Ainda por cima porque ela fez parte da equipe de pesquisadores que fez o levantamento de espécies de coral do país para pleitear a tutela da UNESCO. Que, aliás, conseguiram, em 2008.
O ideal seria mergulhar com a Silvia, já que ela conhece simplesmente tudo dos corais da região. Mas o problema é que tínhamos pouco tempo em Noumea, capital do país e cidade onde ela mora. Então seriam poucos mergulhos. Conseguimos marcar um domingo. E lá fomos nós.
Como a Nova Caledônia é um território francês no sul do Pacífico, o mergulho segue a escola francesa: bandeira azul, tanques de aço (pesados demaaais!!). A Silvia organizou para a gente ir com um amigo dela chamado André, que tem uma escola de mergulho pequena chamada Go Plonge e faz mergulho à la carte. O barco era pequeno, mas dava pra se virar bem. E a um preço camarada, o que fez portanto a diferença.
Aos interessados, há operadoras maiores em Noumea. Mas prepare o bolso: é caro fazer mergulho autônomo por lá.
O primeiro point de mergulho foi no famoso Dumbéa Pass, que fica em frente a Noumea. Falando assim, “em frente a Noumea”, parece que é pertíssimo, né? Pois foi aí que entendi porque o mergulho é caro. A travessia da laguna – a maior do mundo, lembram? – leva pelo menos uma hora de barco. O Dumbéa fica no limite da laguna, onde o mar aberto encontra a barreira de corais.
Quando chegamos no Pass, o mar ao redor estava bem forte, e o barco balançava razoavelmente. Ondas nível surfe. Há entretanto uma área protegida do Pass, e foi ali que caímos na água. E que caída…
A primeira visão foi de um enorme cânion submerso – o Pass em si -, com paredões de corais enormes. Entre eles, os famosos corais fluorescentes da Nova Caledônia. Um cenário surreal. O mergulho é todo feito no paredão exterior da barreira, que tem uma diversidade de corais espetacular. Eu não sabia pra onde olhar, totalmente perdida e maravilhada que estava embaixo d’água. Simplesmente fenomenal.
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Depois do Dumbéa Pass, o barco tomou o rumo de outro point. Este entretanto mais perto da cidade Noumea mesmo, dentro da laguna, há cerca de 20 minutos de barco. O point: Seche Croissant.
Quando o barco para, você olha praquelas pedrinhas de nada aparecendo na superfície no meio do azul ciano e pensa: “que roubada”. Mas não se engane. De acordo com a Silvia, é um dos pontos de maior densidade e diversidade de peixes da região. Um veredito que, vindo dela, é o maior elogio possível e imaginável que um point de mergulho pode ter (ela é super-exigente com atividades subaquáticas).
Pra vocês terem uma idéia, só íamos mergulhar lá nesta tarde de domingo com a Silvia. Mas o local debaixo d’água impressionou tanto, mas taaaaanto… Que terminamos reorganizando nossos planos e esprememos mais uma manhã de mergulho inteiramente dedicada ao Seche. Mergulhamos ainda mais duas vezes lá.
Embaixo d’água, o Seche é realmente impressionante. Uma formação natural de coral, que é delimitada pela presença o naufrágio de um submergível e por onde formam-se pequenos corredores e antesalas naturais no fundo. Não há como explicar a quantidade de peixes diferentes a cada recanto do coral – além de moluscos, tubarões, tartarugas, etc. Várias espécies que eu nunca tinha visto na vida.
Em vários momentos eu não sabia se olhava pro tubarão que dormia embaixo do coral ou pro cardume-muralha de cocorocas que passava cobrindo completamente o coral. Ou ainda se observava com mais atenção aquele grupo de peixes-cabra tentando se camuflar no fundo. Todos os sentidos ligados, o queixo caído. Simplesmente fenomenal. Vai com toda a certeza entrar pra minha lista de melhores points de mergulho ever.
A foto inicial do post, a “Sexta Sub” per se, foi tirada no Seche Croissant. Moving yellow wall, é como a chamo. Uma verdadeira obra de arte natural, deste verdadeiro museu de história natural vivo que é o mar da Nova Caledônia. Imperdível e inesquecível.
Tudo de sub sempre.
Maioridade: 18 Anos do blog Uma Malla pelo Mundo.
Começo 2021 no blog resenhando um dos livros que mais me marcou em 2020, "Slavery…
Quando pensamos em receitas para uma boa saúde e longevidade, geralmente incluímos boa dieta e…
Eis que chegamos à maioridade votante. 16 anos de blog. Muitas viagens, aventuras, reflexões e…
O ano de 2020 tem sido realmente intenso. Ou como bem disse a neozelandesa Jacinda…
Nesta maratona de resenha de livros que tenho publicado durante a pandemia, decidi escrever também…
Ver Comentários
OI Lucia, Muito legal...
Estamos planejando uma viagem para Nova Caledonia também...
Ser'a que você saberia dizer se para snorkel os mergulhos também são legais? Eu e o Kiko só fazemos snorkel e estamos começando a pesquisar a NC... tão pertinho daqui de Brisbane, não dá para perder, n'e? :)
bjos
Oi, Mirella, há áreas de snorkel mais afastadas de Noumea, principalmente nas ilhas, como Ile des Pins e Loyalty Islands. Perto de Noumea, parece que uma ilhota-resort tb tem um ponto onde há alguns corais. O problema em Noumea mesmo é q o litoral é todo ocupado por marinas, desenvolvimento etc. e saindo da praia direto o snorkel não é tão bom. Mas há ilhas próximas q valem a visita.
Eu vou continuar publicando sobre nossa viagem a Nova Caledônia, nós rodamos à beça por lá, vai acompanhando q quem sabe tem outros aspectos q te interessam tb.. :)
Beijos.
Opa!!! Então vou acompanhar... estava pensando em ficar somente 4 dias, mas estou achando que tem mais coisa :)
Ile des Pins é onde eu realmente gostaria de ficar!
Obrigada Lucia.
Olha, vou te dizer: Iles des Pins foi um dos lugares mais biologicamente lindos que eu já vi no mundo, Mirella. Recomendo DEMAIS conhecer. Acho q vc vai curtir, e lá o melhor point pra snorkel é super-simples e tranquilo, bastante biodiverso.