Estou aí na foto abaixo com um tubarão. Muitas pessoas acham que isso é uma atividade “radical”, cheia de adrenalina, onde seu medo é testado.
Pois lamento desapontá-los: não é. Isto porque a maior parte das espécies de tubarão na realidade tem medo de você e foge ao menor sinal da sua presença embaixo d’água. Poucas espécies atacam e no mundo inteiro em 2007 foram registrados 471 ataques fatais (geralmente acidentais), o que corresponde a 0.00000785% da população mundial. Desses ataques, 63.7% vieram de 3 espécies apenas: o tubarão-branco (Carcharodon carcharias), o tubarão-tigre (Galeocerdo cuvier) e o tubarão-touro ou cabeça-chata (Carcharhinus leucas).
No entanto, em outubro passado, o Centro de Controle de Doenças (CDC) dos EUA publicou uma pesquisa onde simplesmente perguntavam às pessoas do que mais elas tinham medo. O resultado foi impressionante.
As pessoas têm mais medo de serem atacadas por tubarões (mesmo que visitem o mar poucas vezes no ano), de acidentes de avião, de picadas de insetos e aranhas, do que de desenvolverem diabetes (menos até que câncer). É inacreditável (e inadmissível a meu ver) que tubarões metam mais medo que uma patologia que causa gastos econômicos e fatalidades em números alarmantes no mundo. Lamento mais uma vez desapontar, mas as pessoas definitivamente estão com o medo “errado”.
Estima-se que 180 milhões de pessoas no mundo tenham diabetes, e que só até 2015 na China, a doença custará à economia 558 bilhões de dólares. Nos EUA, apenas os custos diretos em 2007 da doença chegaram a 157 bilhões de dólares – foram mais 57 bilhões de dólares de custos indiretos estimados. No Brasil, estima-se que 7.6% da população seja diabética. É um número muito elevado, epidemiologicamente falando. Isso, sem considerar o que o endocrinologista Dr. Fadlo, da Associação de Diabetes Juvenil, falou nessa semana no programa do Jô: 80% dos brasileiros estão fora da meta de hemoglobina glicosilada*. Traduzindo: 80% estão em risco iminente de terem diabetes, já são considerados pré-diabéticos. É um número de dar medo de verdade.
Hoje, 14 de novembro, é o dia mundial da Diabetes. Uma data que a Organização Mundial de Saúde dedica à conscientização e orientação das pessoas sobre a patologia que é uma das maiores epidemias de nosso tempo. Vários monumentos ao redor do mundo se iluminarão de azul (97 no Brasil) como forma de demonstrar a preocupação real das pessoas (e que elas se conscientizem mais) sobre a doença e seus números assustadores.
Vista azul hoje e entre no círculo azul da diabetes. Informe-se sobre a patologia. Faça check-ups regulares. Só assim a gente pode enfrentar esse medo de frente – e ter mais chances de vencê-lo.
Tudo de azul-da-cor-do-mar sempre.
Maioridade: 18 Anos do blog Uma Malla pelo Mundo.
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Hehehe...adorei o "medo errado". Diabetes e hipertensão são as doenças da minha família: ninguém tem câncer, problema de rim, nada disso, é diabetes e hipertensão.
Meu pai era diabético (do tipo adulto), e eu vi ele passar dos remédios pra insulina e do qto aquilo incomodava e era um saco - e deprime horrores tb né?
Eu costumo dizer que enquanto as pessoas têm medo das drogas ilícitas, dos "tóchicos" (eu sei que é com "x" tá?é só pra enfatizar a pronúncia)eu tenho medo é de açúcar mesmo. Pra mim açúcar mata, é veneno (tanto que me apavoro quando engordo, porque sei que isso não é bom sinal, ainda mais se juntarmos isso com pressão alta...)
Tadinhos dos tubarõezinhos, tão fofinhos, e tão incompreendidos, enquanto brigadeiros são amados...tá rindo né Lucia? :D
beijos!!!
Eu sou um "diabético limítrofe" e não me arrisco a mergulhos em áreas com tubarões. Mas o que mais me mete medo é um dos grandes primatas que atende por "Sapiens"... ;)
Lúcia, acho que o seu texto é bem esclarecedor, vai contra o senso comum e deveria, de uma maneira ou de outra ir pra mídia. Porque o medo que o pessoal tem de tubarão, creio eu, tem como bases alguns filmes (como "Tubarão") e notícias que cotidianamente aparecem na imprensa (todo ano, no mínimo umas três reportagens a gente vê sobre surfistas que perderem pernas, braços ou sei lá o quê em praias brasileiras...)
Aliás, muito bom também seus esclarecimentos sobre esta perigosa doença que é a diabetes. Brigadão pelas dicas!
Flavia, estou rindo mesmo. Brigadeiros assassinos, já vislumbro um filme de terror B assim! :D
João, desse primata eu tbm tenho medo... mas tenho esperanças de mudança. Ainda. :)
André, existe um desequilíbrio de notícias absurdo. A diabetes tem, proporcionalmente, muito menos espaço q um ataque de tubarão. Fora q a maior parte desses "ataques" é acidental, o bicho dá uma bocada e larga - pq a carne humana não lhe é apetitosa. São fatais pq uma única mordida de um bicho grande na gente é mais que suficiente pra dar uma hemorragia daquelas, e no mar, longe de resgate, etc. isso complica mais. Mas nem de longe são o "problema" q a diabetes é para os humanos.
Viver de forma espontanea e verdadeira permite um bem estar que supera nossa diversidades e até doenças
Se permitir ser zen, se permitir a valorização interior abre um espacço para o enfrentamento e cura sem sinonimos