Nossa volta em Nova York começou de maneira inusitada.
Nosso plano da viagem de julho começou com um convite de casamento. Afinal, meu ex-rommate e amigo adorado Chris ia se casar em Rhode Island. Como tanto eu quanto André estávamos precisando de férias de verdade – não essas viagens a trabalho que são mais corridas que maratona São Silvestre – decidimos prestigiar o casamento e esticar até o México para ver o tubarão-baleia (e esta terminou sendo a principal motivação da viagem, no final). Mas o fato é que tínhamos que passar primeiro pela costa leste americana.
André nunca fora em NY. Eu, brincando, disse para ele: “Como cidadão do mundo, você precisa conhecer a capital do mundo.” E, como toda brincadeira tem sempre um fundo de verdade, é assim na realidade que eu vejo NY. É uma Cidade com C maiúsculo, que transcende os EUA. NY pertence ao mundo.
Mais: se o mundo fosse viajantemente justo, devíamos todos passear por suas ruas pelo menos uma vez na vida para entender o que ela tem que a faz ser tão única. Porque não adianta tentar explicar aqui. Só mesmo ouvindo as buzinas dos táxis amarelos, enlouquecendo na dinâmica das ruas enumeradas, andando pelo seu metrô sujo e histórico, vendo a imensa diversidade de pessoas, que você começa a entender NY. Começa só, e fique feliz com isso. Porque NY é uma Cidade que nunca termina, tamanho dinamismo numa ilha só.
Mas tergiverso. Fato é que quando decidimos dar uma passadinha rápida por NY pro André sentir um pouco a vibe da cidade, rapidamente me veio na cabeça a oportunidade de:
Então marcamos. O passeio de barco que dá a volta em Nova York sai do píer 42, no lado oeste da ilha. Segui a dica do Riq, e fiz a reserva para o último horário, pra pegar o sol do entardecer – valeu muitíssimo a pena.
Problema: antes de chegar no píer, decidimos dar uma passadinha na B&H, a melhor loja de equipamentos fotográficos do planeta. Era só uma passadinha, mas toda a experiência de andar por aquela loja paraíso dos fotógrafos nos fez ficar mais de 1 hora ali, contemplando e nos maravilhando. Inúmeras possibilidades de compra, se o cartão de crédito deixasse. 😀
Saindo da B&H, fomos à pé até o píer 42. Já na fila, encontramos a Marcie e a dupla Mau e Oscar. Pronto, nossa mini-ConVnVenção viajante ia começar em NY – e em grande estilo. Subimos no barco.
Conhecer pessoas da internet com quem você conversa praticamente todo dia no twitter é uma coisa engraçada. Já temos uma certa intimidade online, então a coisa offline só se expande, vira conversa na cozinha de casa, tomando café e comendo broa de milho.
A Marcie é PhD em NY, coloca um monte de dicas bacanas da Cidade em seu blog, e deu muitas risadas quando eu, no auge do meu desconhecimento pleno da Cidade, confundi as Nações Unidas com o Guggenheim. Pois é, eu viajo na maionese mesmo. Enquanto fofocávamos e tricotávamos sobre viagens e afins, André sorrateiramente foi fotografando o passeio.
Que é lindo mesmo, não dá para explicar. Tento em vão mostrando as fotos neste post, mas, como quase tudo em NY, você precisa estar lá pra entender.
Saímos pelo rio Hudson, o que por si só já é uma delícia – ventinho no rosto num barco em pleno verão é sempre bom. O barco leva mais de 2 horas num passeio que passa por todos os marcos da Cidade à beira d’água. Pontes, arranha-céus, a tal Estátua.
Vemos o Distrito Financeiro e sua Wall Street, coração da economia do mundo. Passamos por Queens, Brooklyn, um pedaço do Bronx. Aprendemos que as construções mais altas em Manhattan estão condensadas em 2 áreas principais, nas pontas – no centro da ilha, o solo não permite que grandes arranha-céus se sustentem (embora “grandes arranha-céus” aqui tenham uma conotação completamente diferente que no resto do mundo não-verticalizado).
Aprendemos também que Manhattan é circundada pelo rio Hudson e pelo estuário do Leste. Porque ele não é um rio de verdade, embora pareça e assim seja chamado (o East River).
E há bizarrices pelo passeio. Inúmeros faróis, que antigamente marcavam o caminho para a entrada naquele emaranhado fluvial, e que hoje são apenas pontos pitorescos – a Cidade os engoliu.
Um deles fica em cima de um prédio – devia ser dos mais iluminados no longínquo tempo em que o caminho precisava ser iluminado para se chegar na Cidade.
E há detalhes. Inúmeros, a cada janelinha que nos espia. NY tem várias histórias a cada andar (e você tem que ser muito maluco para querer ouvir e digerir todas. Contente-se: não dá, simples assim.).
Vimos também de onde vem a energia da Cidade – literalmente. Uma das termelétricas que mantém viva NY está ali, jogando poluição no ar.
Próximo a ela, o prédio do Citigroup, cuja idéia inicial era que fosse 100% eficiente de energia, via um gigantesco painel solar no teto – a idéia micou pelas metades da construção. Sinto uma certa ironia vendo termelétrica antiga e engenheiração da energia tão próximos um do outro. Tomara que a termelétrica vire um dia um Centro Cultural ou algo que o valha. Tomara que os arranha-céus da cidade um dia funcionem à base de painéis solares de verdade.
Ao fundo da ilha de Manhattan, outra surpresa: um paredão verde. Uma encosta de vegetação estuarina, preservada (?). Para quem acha que verde em NY é só no Central Park, vale conhecer o backstage da Cidade, cujo verde é bem mais intenso e denso.
O passeio termina de volta ao píer 42, em frente da Embaixada Chinesa. E prova-se aos iludidos pela urbanidade que, sim, Manhattan é uma ilha. Aliás, você pode dar a volta completa ao redor dela.
Mais: a cada ângulo, a Cidade nos revela uma nova faceta. NY é uma ilha cercada de infinidades por todos os lados. NY não termina nunca, mesmo.
Tudo de bom sempre.
Maioridade: 18 Anos do blog Uma Malla pelo Mundo.
Começo 2021 no blog resenhando um dos livros que mais me marcou em 2020, "Slavery…
Quando pensamos em receitas para uma boa saúde e longevidade, geralmente incluímos boa dieta e…
Eis que chegamos à maioridade votante. 16 anos de blog. Muitas viagens, aventuras, reflexões e…
O ano de 2020 tem sido realmente intenso. Ou como bem disse a neozelandesa Jacinda…
Nesta maratona de resenha de livros que tenho publicado durante a pandemia, decidi escrever também…
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Adoro as informações maionesísticas!!
Muito bom, sempre ;-)
Querida, eu é que agradeço a visita, viu? Embora tenha sido muito curta, tenho certeza de que foi apenas um amuse-bouche.
Voltem logo, e sempre!
Lena, obrigada, querida! :) :) :)
Marcie, foi mesmo. Já aguardando a próxima oportunidade de visitar essa Cidade Maravilhosa dos EUA! :D
Beijão pras 2!
Uma ótima dica. Gostei!
Amei o post, muito boa a dica do passeio, com certeza irei fazer.
As fotos são perfeitas e a narração de cada detalhes são impagáveis.
Bjsss
Nossa! Viajei de mais na sua viagem ^^
Obrigada, Lucia, pela carona que vc me deu no seu passeio - foi assim que me senti. Sou louca pra conhecer NY, sempre acho que é muito seriado na veia. :-)
Sempre que eu venho ao seu blog, eu acabo a leitura querendo pegar um avião. :)
Nova York definitivamente está no meu roteiro de lugares que eu quero conhecer antes de morrer. hehe
beijão.
Clarissa, q bom q gostaste!
Monalisa, já estou com pena antecipada do bolso do seu love...
Izabela, opa! Q bom! :)
Helê, os seriados ajudam mesmo. Eu tb ando por lá achando q vou esbarrar num Seinfeld ou com uma busca policial à la CSI:NY ou Law Order. Faz parte do delírio q é a Cidade. :D
Renata, estou aqui, sorrindo marotamente. Pq pegar um avião é o q eu sempre quero fazer, enquanto escrevo. Viajar de novo - ou retroviajar. Viajei? :D
Beijão pra todas.
Opa, Laura, vou lá votar sim! Eu só tinha votado em outra categoria. Não tinha visto seu blog lá em Arte e Cultura. Beijos!