A entrevista viajante de hoje é com a Alline. Conheci a Alline na era Devoniana do blog, lá pelos idos de 2004. Nem sei como ela caiu aqui – ou se fui eu que caí lá no blog dela. O fato é que imediatamente rolou uma sensação de amizade. Talvez seja a profissão similar, talvez seja a carioquice que dividimos. Ou talvez seja a curtição que ambas temos com o ato de blogar. Talvez ainda seja a mentalidade “largada no mundo” que nós duas compartihamos. Mais provavelmente, entretanto, talvez seja a paixão por viajar.
Somos amigas desde então. Passamos Revéillon juntas no Rio em 2006. Em junho passado, eu e André fomos visitá-la em Tefé (AM). Ainda mais: ela nos super-guiou pela reserva de Mamirauá. Muitos papos, risadas, reflexões, aprendizagens, mais risadas. Aliás, se tem uma característica preciosa da Alline é o alto astral: por mais que a situação esteja ruim, ela estará sempre pensando positivo e levando a bola pra frente. Admirável mesmo. Depois de alguns anos no meio da Amazônia, ela se mudou enfim para Milão, onde mora e estuda seus passarinhos coloridos.
É com muita satisfação que deixo aqui para vocês compartilharem a deliciosa entrevista sobre viagens que fiz com ela pelo MSN outro dia. Claro, recheada de delírios típicos de duas biólogas que adoram se jogar nas estradas da vida, afinal. Aproveitem a entrevista!
Alline: Eu gosto dos dois tipos de viagem. Pela minha profissão, acabo conhecendo os lugares a trabalho (tenho o privilégio de ter trabalhado em lugares como a Ilha Grande, Mamirauá, Trancoso…). Mas se viajo de férias, normalmente faço passeios urbanos.
Alline: Depende… Às vezes por algum evento (casamento de amigo, aniversário, eu aproveito qualquer chance…). Às vezes por pura curiosidade com aquele destino.
Alline: San Francisco, na Califórnia, por exemplo. Eu sempre fui curiosa de conhecer a Golden Gate, depois de ter visto tantos filmes… Depois de ter ouvido a música “I left my heart/ in San Francisco…”
Alline: Eu tambem adorei! Sei lá, o astral das pessoas é muito parecido com o astral dos cariocas. Vai ver por isso me senti tão em casa, afinal!
Alline: Acho que foi essa viagem a San Francisco mesmo. Porque foi a primeira que fiz só com o meu dinheiro. A primeira que fiz absolutamente sozinha. Era um momento muito especial da minha vida. Porque tem isso também…San Francisco não foi o lugar mais lindo que fui, mas naquele momento foi pra mim muito importante ter feito aquela viagem.
Alline: Sim. Eu lembro muito bem da sensação que tive quando o avião aterrisou em SF, a sensação de “putz, eu consegui!”
Alline: Ai, Lu, eu curti muito tudo. Mas a história mais bacana foi um dia que eu me perdi, peguei o ônibus errado. Eu estava junto com a Indra, uma alemã que conheci no albergue, era de noite, nós com aqueles mapas abertos dentro do ônibus… Daí um cara viu que estávamos perdidas e ofereceu-se para nos ajudar. Aceitamos a ajuda. Ele disse que tínhamos que descer na rua tal e que de lá ele nos levaria em outra parada de ônibus, que estávamos na direção errada. A tal rua que tínhamos que descer era a CASTRO STREET, a rua dos gays em SF. Quando percebemos que estávamos na Castro, eu e a Indra achamos muito legal e ficamos fazendo mil perguntas ao cara… daí o cara disse que trabalhava ali, era uma drag queen, nos fez entrar no bar que ele trabalhava… foi muito divertido!
Alline: Eu também.
Alline: Sim, concordo plenamente. Aquelas ruas estreitas… Eu achava que estava num filme. (Eu sou totalmente “o fantástico mundo de Bobby”. Já viu esse desenho?)
Alline: Um menininho que faz história com tudo que lhe acontece… Ele por exemplo inventa filmes com todos os acontecimentos da sua vida. É divertidíssimo.
Alline: Passa sim, eu via quando morava aí. Era num canal a cabo, não lembro qual.
Alline: Procura sim, é a sua cara também, ahahaha!!
Alline: Ai, eu também. Mas eu não tomei jeito não, sou assim até hoje.
Alline: Foi uma viagem que fiz a Arraial D’Ajuda. Fiquei decepcionada, porque eu sempre quis conhecer Arraial D’Ajuda. Uma amiga me chamou numa sexta-feira, para ir no sábado. Ela ia com outras amigas de avião. Topei na hora e fui de ônibus mesmo, porque não tinha grana pro avião. Mas eu não me aperto não… Quando cheguei lá, as amigas da minha amiga eram chaaaaaaaaaaatas, mimadas, reclamavam de tudo e queriam fazer tudo junto. Eu me senti numa excursão da CVC, aliás.
Alline: Você tem toda razão. Eu adoro viajar sozinha. Então quando esbarro nestas criaturas malas fico num mau humor do cão.
Alline: Eu tambem preferi Trancoso. Caraíva não fui…
Alline: AHAHAHAHA. Que roubada, Lu!
Alline: Não, de roubada bastam minhas viagens a trabalho.
Alline: Uma expedição que fiz para um projeto da National Geographic. A pior roubada de todos os tempos! Era entre nenhum lugar e lugar algum, no alto de uma montanha perto de Friburgo. Só podíamos chegar de helicóptero. Era final do mês de dezembro, então só chovia… Conseguimos chegar, o helicóptero deveria ir nos buscar 3 dias depois. E cadê que parava de chover? Cadê que celular funcionava? E cadê roupa seca pra vestir? E cadê saco de dormir seco para dormir? Tudo molhado, eu nunca senti tanto frio em minha vida. Depois de 5 (eu disse CINCO) dias, resolvemos ir embora a pé…
Alline: 8 horas de caminhada, carregando todo o equipamento nas costas, no meio da Mata Atlântica virgem, sem saber direito pra onde estávamos indo. Tínhamos o GPS, mas não dá pra confiar 100% no GPS, né?
Alline: Eu não gosto nem de lembrar!
Alline: Ai, Lu, eu não sou muito fã de comida exótica, não. Eu sou chata pra caramba… Não gosto de arriscar, então fico sempre no básico. Mas assim, do que eu lembro de ter arriscado, deve ter sido maniçoba quando morei no Pará. É tipo uma feijoada, mas tem que cozinhar por 7 dias (!!!!). Não gostei. (Eu disse que era chata.)
Alline: Ah, lembrei da mais estranha: tomates verdes fritos! Comi quando fui ao Tennessee. Dessa eu gostei! Comi, aliás, na cidadezinha onde eles fizeram o filme. Uma cidadezinha linda, onde minha amiga americana casou.
Alline: É sim, eu te disse! Pena que as fotos da cidadezinha são todas em papel, eu não tinha câmera digital na época.
Alline: De levar na mala um biquini. Não importa se a viagem é pra Bahia ou pro Alaska, eu tenho sempre um biquini!
Alline: Não sei, Lu… Mas eu sempre fico pensando: “Ah, e se tiver uma piscina lá?” Mania… não tem explicação!
Alline: Depende do lugar. Normalmente eu procuro ouvir a música do local onde estou.
Alline: Teve Jazz no Tennessee, no casamento da minha amiga, com uma banda de jazz tocando. Teve “Under pressure” numa viagem de trabalho pesado que fizemos…
Alline: Imaginou, né? Ralação total. E o povo ainda acha que é o máximo ser biólogo… Que tudo é diversão e encantamento. O trabalho é duro!
Alline: Também acho… Porque seja em laboratório ou no campo, a ralação é muita.
Alline: Um Homem de Lata de presente para uma amiga, ahahahaha. Quando fui pros EUA eu perguntei o que ela queria que eu trouxesse pra ela. Ela me respondeu: “Um americano!” Eu trouxe o homem de lata… Era um americano, justo?
Alline: Ela tem até hoje.
Alline: Ai, Lu, o que eu mais gosto daqui é que tudo tem história. Cada prédio, cada esquina, cada igreja. É tudo tão antigo. Quando eu vejo uma igreja, um castelo, ou outra construção que data de antes do descobrimento do Brasil, eu fico encantada. Até o banco onde tenho conta é mais “velho” que o Brasil. Toda vez que eu saio do metrô em frente a Duomo de Milano, e vejo aquela igreja gótica imensa, ali, na minha frente, eu fico emocionada.
Alline: Também gosto muito (mas muito mesmo!) da possibilidade de andar sem medo nas ruas. Por mais que a Itália não seja exemplo de segurança e de não-violência, eu ando muito tranquila por aqui. Com câmera fotográfica na mão, com MP3 no ouvido, sem medo…
Alline: É sim, você tem razão. É outra coisa andar pelas ruas sem medo. Eu tinha esquecido como era essa sensação.
Alline: Quando viajar, entre no espírito do lugar. Aceite as diferenças, sejam elas de cultura, de atendimento, de língua ou de costume. A diversidade é o grande motivo para se conhecer outros cantos, pelo menos para mim. Se fosse para ter tudo igual, eu ficava em casa, não é mesmo? Aproveite a diferença, sem comparar se é melhor ou se é pior.
Alline: Pro Rio de Janeiro… Daqui há uma semana. Porque apesar de tudo, o Rio de Janeiro continua lindo! E eu sou aliás completamente apaixonada por aquela cidade!!!
Alline: Olha que eu acho que terei que ir à Sampa mesmo, porque tenho que pegar umas amostras no MZUSP!
Alline: Sim, sim! Convite aceito…
Maioridade: 18 Anos do blog Uma Malla pelo Mundo.
Começo 2021 no blog resenhando um dos livros que mais me marcou em 2020, "Slavery…
Quando pensamos em receitas para uma boa saúde e longevidade, geralmente incluímos boa dieta e…
Eis que chegamos à maioridade votante. 16 anos de blog. Muitas viagens, aventuras, reflexões e…
O ano de 2020 tem sido realmente intenso. Ou como bem disse a neozelandesa Jacinda…
Nesta maratona de resenha de livros que tenho publicado durante a pandemia, decidi escrever também…
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Lú, ficou ótima. Obrigada a vc pela oportunidade do papo, foi delicioso.
E me aguarde :)
Amanhã eu parto pro Rio...
Um beijo enorme e mais uma vez obrigada pelo carinho e pelas gentis palavras a meu respeito!
Lúcia, adoro suas entrevistas, sempre aprendo um pouco com vocêe seu entrevistado! Além do mais, você sempre escolhe umas pessoas fantásticas para entrevistar!!!
Adoro mesmo!
Lúcia, eu tou sempre acompanhando algumas das suas andanças, através de outros amigos. Dessa vez vim parar aqui por causa da Alline que eu amo imensamente, e a quem eu estou louca pra abraçar essa semana, aqui no Rio.
Adorei a entrevista!
Eita bate-papo delícia! Você e a Alline são duas pessoas que eu sempre penso "quero ser assim quando crescer!". E aquela viagem da Alline pra montanha perto de Friburgo me lembrou na hora do filme "Turistas", aquele terror classe B americano, lançado ano passado, que irritou muito os brasileiros, mas que eu quando assisti achei bem legalzinho- afinal, é um filme de terror, FICçÃO, né!
Beijos pras duas.
Acho q nem preciso dizer...as entrevistas é uma das partes do blog q eu mais gosto...esta, então..está maravilhosa! bj :D
Alline, não se esqueça de me contactar pro café de sempre aqui em Sumpaulo! As palavras são mais que merecidas, vc sabe disso. :)
Carlinha, Ana e Manu, obrigada. Conversar com a Alline é a coisa mais engraçada, sempre. A gente viaja junto, como deu pra perceber. :P
Andréa, ainda não vi esse filme "Turistas", vc acredita? Acho q vou terminar assistindo só quando passar na TV (se passar...).
Beijos a todas.
Legal suas visitas e viagens.
Amei, Lucia!
Também tive o prazer de conhecer a Alline, e ela é assim mesmo: um doce de pessoa. Estou esperando também um encontro aqui no Rio com ela. Adorei a idéia de fazer entrevista. Genial.
beijo,menina
Viajei nesta entrevista, boa por demais. Beijos para as duas.