Espírito Santo

Resposta do desafio malla: visita gastronômica à Pedra Azul

Acho que eu “errei a mão” no último desafio. Estava muito fácil – pelo menos pros que são do Espírito Santo, hehehe. Porque mal eu tinha publicado, meu amigo Maninho (vulgarmente conhecido como Edu) já veio e cravou a resposta certa. E depois, uma sequência de capixabas apareceram, culminando com um “tem que ser” da Andreia e a certeza da minha amiga Pat – que morou ali do lado! 😀

Realmente, gente, era a Pedra Azul, na serra capixaba. Foi fácil identificar pelo padrão de cores na rocha, não?

Um pouco de geologia

Essas cores, aliás, advém da presença de liquens e algas na rocha, que mudam a tonalidade da mesma de acordo com a incidência do sol. Diz a Wikipedia que a Pedra Azul muda de tonalidade 36 vezes por dia. Como nunca fiquei lá um dia inteiro olhando o rochedo, nunca vi todas essas cores. A pedra é naturalmente cinzenta, e num dia sem sol, realmente vemos apenas o cinza, nem sinal da tonalidade azulada que dá nome a ela. Precisa do sol incidindo para ela ficar esverdeada-azulada. O granito e o gnaisse da Pedra Azul no Espírito Santo são do mesmo tipo metamórfico que formam o Pão-de-Açúcar no Rio.

Mas a Pedra Azul também é chamada Pedra do Lagarto, por causa do “apêndice rochoso” que ela tem. Este apiendice se assemelha a um lagarto quando visto de lado e é impressionante. Está à beira da BR262, que liga Vitória a Belo Horizonte, facílimo de ver, a pouco mais de 50km de Vitória.

A visita à Pedra Azul

No Parque Estadual da Pedra Azul, há trilhas com piscinas naturais, abertas ao público – mas precisa agendar com antecedência. A região é um pedaço de mata Atlântica elevada, e há muitas bromélias e orquídeas, prometendo um belo passeio. De acordo com o SummitPost (um dos pontos de encontro dos montanhistas no mundo virtual), a Pedra Azul é melhor para ser escalada durante o inverno, apesar das temperaturas baixas. No verão, chove muito, o que pode estragar a escalada.

Entrada do Parque Estadual de Pedra Azul. Repare que o telhado das duas casas do parque é feito de grama. Amei a solução ecológica tão perto de casa – num estado que sei por experiência própria que tem tantos problemas ambientais graves, é um pequeno exemplo que merece ser incentivado a se repetir.

Eu cresci no Espírito Santo. E de vez em quando subia a serra para passear em alguma das diversas localidades e municípios que a compõem. Eram churrascos no sítio de Cristhian em Marechal Floriano, almoços no Vista Linda (seu relógio d’água era a atração das crianças), caminhadas familiares no Parque das Hortênsias em “Campinho” (hoje Domingos Martins), cafés coloniais na Pousada dos Pinhos, retiros do colégio em Santa Isabel… Enfim, uma infinidade de passeios que me trazem boas recordações.

Friozinho da serra

A região tem temperatura amena no ano todo. (De acordo com os locais, Paraju tem “o melhor clima do mundo para se viver” eleito por alguma publicação que não me lembro agora qual). Este clima ameno é devido à altitude. E toda vez que queríamos fugir do calor do litoral, era pra serra que nos direcionávamos.

Depois de passar a entrada do Parque, a estrada que segue te leva a um condomínio requintado, com um café colonial delicioso. Dessa área de residências e acomodações chiques, é possível se ter uma visão lateral da Pedra Azul, com o “lagarto” de frente – ele quase se torna invisível pelo cinza da rocha.

A região serrana capixaba foi colonizada por imigrantes alemães e italianos. Em Domingos Martins, concentra-se o maior número de alemães, principalmente vindos da região da Pomerânia. Já em Marechal Floriano e em Venda Nova, os italianos são entretanto maioria. Trouxeram consigo os costumes europeus e a região é notoriamente conhecida no estado pelos festivais: da Polenta, do Vinho, da Cerveja, de Inverno, do Imigrante Alemão,… São vários, principalmente gastronômicos.

Aliás, hoje o principal mote do turismo nesta região do Espírito Santo é a gastronomia. E aí eu dou uma de gulosa e destemperada e vou sugerir 2 lugares na serra capixaba imperdíveis, que adoro.

Onde comer – Lorenção

O primeiro é o sítio da família Lorenção, já quase em Venda Nova do imigrante. É um sítio mesmo – uma das vezes que cheguei lá para visitar, a família estava reunida ao redor da mesona de bancão no quintal jogando baralho, numa cena bem tarde de domingo. Nos fundos do terreno, há uma lojinha, onde ficam as guloseimas italianas mais deliciosas da região.

O chamariz é o socol, um tipo de embutido de lombo de porco cuja receita-segredo foi trazida da Itália pelos nonos da família, ou seja, iguaria única no mundo, só produzida ali no Brasil. Para mim, o melhor embutido do planeta, sem dúvida. Além do socol, há inúmeros antepastos maravilhosos, berinjelas em conserva e o licor de limoncello, feito com a casca do limão siciliano, para acompanhar tudo perfeitamente. Nunca havia tomado limoncello antes, mas depois de provar o da família Lorenção, virei fã de carteirinha e é minha primeira opção num restaurante italiano qualquer. Se tiver limoncello, eu fico. 😀

Matriarca da família Lorenção em sua lojinha de socol e outras guloseimas italianas. O antepasto de tomate seco é recomendadíssimo.

Onde comer – Espaço Vellozia

A segunda sugestão é um almoço no Espaço Vellozia. O cardápio é cheio de exotismo, misturas bem interessantes, o que eles chamam de “cozinha de autor”. Eufemismo ou não, fato é que é gostoso à beça. Estivemos lá uma vez (pretendo voltar assim que der). Pedimos o fettuccine de escalope de filé alla Vellozia e a polenta dos tropeiros gratinada com queijo parmesão. Maravilhas dos deuses. Além de tudo, comer olhando para a Pedra Azul torna toda a experiência mais agradável.

Fettuccine do Espaço Vellozia.

Mas essas não são nem de longe as únicas opções do agroturismo da serra capixaba. Há inúmeros recantos deliciosos, cheios de comidinhas, guloseimas e quitutes, receitas únicas de família, chucrutes e anholins, vinhos e cervejas. O legal é passear por ali e ir descobrindo aos poucos, provando de tudo um pouco. A serra capixaba, com seu ar fresquinho, é portanto um ótimo passeio de domingo para qualquer momento do ano. E aos poucos se revela única para os paladares de todos os tons e nacionalidades.

A Polenta dos Tropeiros, especialidade da casa.

Tudo de bom sempre.

P.S.

  • Minhas papilas gustativas para esse post não tiveram patrocínio algum, a não ser da minha vontade de apontar boas pedidas turísticas na Serra Capixaba. 🙂

Booking.com

Lucia Malla

Uma Malla pelo mundo.

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Ver Comentários

  • Lindo esse lugar, eu não conhecia. A luz das fotos está maravilhosa, e esse almoço deve ter sido mesmo inesquecível.
    bjs

  • Boa Tarde,
    Acabei de criar um novo o site, o "escritores de blogues" (para visualizar o site basta clickar no meu nome). Este site é uma rede social destinada a todos os escritores de blogues que o fazem em português. O objectivo é criar um espaço comum a todos para que seja facilitado o contacto e a visibilidade de novos projectos independentemente da ferramenta (blogspot, sapo, wordpress) que utilizam.
    Neste sentido gostava de o convidar, e a todos os escritores de blogues que estiverem interessados. Para tal basta seguir o link e carregar onde diz "Join this network".
    Muito obrigado pela atenção,
    Melhores Cumprimentos,
    Stran

  • Bom, para quem não conhece, a região pode ser uma grande surpresa. O que a Lucia não citou foi o espírito hospitaleiro e a simpatia de quem mora por láo, principalmente em Venda Nova do Imigrante. O Sitio Lorenção é apenas um dos que estão envolvidos no agroturismo. Tem um outro, dos Buzzato, que tem queijos espetaculares. O legal é que você pode encomendar o queijo e deixar por lá, curando. Tem gente que deixa 1 ano ou mais e eles não vendem para outra pessoa. Uma dica de hospedagem é a pequena e escondida pousada Vale Du Carmo. Se você quer esquecer do mundo, fique lá. Os donos são ultrassimpáticos e fazem as comidinhas todas. É sempre pensão completa. Tudo orgânico (pelo menos na medida do possível) e a maior parte de verdurinhas é de lá mesmo! Para quem quiser visitar, o endereço é http://www.canaldoturismo.com.br/pousadavaleducarmo/apousada.html. Uma boa semana para todo mundo e boas viagens!

  • Leila, eu recomendo de montão. É uma área deliciosa do Espírito Santo. Não é longe do Rio... ;)
    Maninho, seu complemento é perfeito. Tem taaaaaaantos outros lugares gastronomicamente interessantes na serra capixaba, que é difícil escrever e não deixar um monte de fora. Esse do queijo, por exemplo, não conhecia - e já fiquei com vontade de conhecer.
    Beijão pra vcs 2, queridos especiais. :)

  • Primeiramente elogios: adorei o que escreveu sobre a região das montanhas capixabas! E confirmo, clima é perfeito, vistas perfeitas e o agroturismo possui coisas maravilhosas! Adoro aquele Socol! Pena que pouca gente conhece, sou capixaba e fico chateado com isso.
    Morando em São Paulo capital há 1 ano e meio (e, como disse, nenhum amigo meu daqui ou de outros estados conhece o Espírito Santo), estou indo agora pra Vitória, passar o Dia dos Pais em casa. Provavelmente vou em Venda Nova do Imigrante visitar a família da minha namorada e tomar um iogurte feito na hora (acho que é da família Busato, não recordo... rsrs)! ;)
    Beijos, adorei o site (já li diversas coisas rsrs) e espero que faça mais propaganda do meu querido estado!

  • Luiz Gustavo, somos conterrâneos, então de vez em quando eu solto umas sobre o ES... obrigada pelos elogios. :)

  • Caramba, quando vi o título do post, quase não acreditei. Pedra Azul.
    Só tenho uma dúvida: você encontrou alguma daquelas garotas do EasyShare?
    ahahahha

  • tem paeeio com cavalo brancos importados,vi na teve , quero muito ai. quanto vai corta para duas pessoas. 2 dias.. a diarai.

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Publicado por
Lucia Malla

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