China

China rebelde: Taiwan

Lucia Malla em roteiro de volta à China.  Considerando a “família China”, até agora mostrei a faceta tranqüila e calma, aquela que almoça aos domingos e dá risadas em conjunto. Mas nessa família, tem uma filha rebelde, e é a ilha de Taiwan (também chamada de Formosa). Mais especificamente, a cidade de Taipei.

Majestosa arquitetura do Opera House de Taipei.

Diplomacia de Taiwan

O Brasil não mantém relações diplomáticas com Taiwan, para obviamente não melindrar a super-potência China. Afinal, a situação política da ilha é delicadíssima. Afinal, quer se tornar independente da China, que por sua vez não aceita isso. Então, o que vemos é essa confusão imigratória: você precisa de um visto para entrar num país que, em tese, não é um país ainda.

Nessa bagunça toda, é claro, os EUA estão envolvidos: vendem (de forma não-declarada, entenda-se) armas para as guerrilhas taiwanesas, fomentando sua sede de independência – para desconforto da mãe China. E como país nenhum do mundo quer comprar briga com a China (detentora de um exército de milhões e algumas bombinhas nucleares extras), a imparcialidade governa e vai-se vivendo.

…e nas ruas, um mundo de vespas, o meio de locomoção por excelência em Taiwan!

Onde os tubarões do mundo são abatidos

Além dessa bagunça política, Taiwan ainda tem a “excelente” fama de ser um dos países (?) mais agressivos na caça a tubarões e outras preciosidades marinhas ilícitas de serem pescadas. Taiwan, estaria, assim dizendo, liderando a lista-negra de qualquer ONG ambiental. E eu, Lucia Malla, adentrei Taiwan com esse pé-atrás, essa coisa mineirística-desconfiada. Afinal, estou entrando na terra do inimigo. Um país que nem o meu país de cidadania reconhece! Ah, como eu estava enganada…

Roteiro em Taipei

Vista geral do Memorial Chiang Kaishek no centro de Taipei.

Taipei (a capital da ilha) é simplesmente uma cidade fantástica. Assim que comecei a andar pelas ruas em meu roteiro randômico, me senti andando em Copacabana. Isto porque a arquitetura dos prédios no centro tem aquele ar típico e nostálgico da década de 50/60. Quer dizer, quase Copacabana, se não fossem as incontáveis vespas (ou mobiletes) espalhadas por todas as ruas e com direito a estacionamento especial em todas as calçadas. E que cidade organizada! Um sistema de metrô excelente, limpíssimo, eficiente e moderno. Em nada lembrando uma cidade suja, uma das idéias que se tem na cabeça antes de visitá-la.

Numa bodega na praça de alimentação do Taipei 101, onde o cozinheiro preparava os pratos em frente aos clientes, algo que adoro – esse lado lúdico de comer tem que estar no roteiro!

Não bastasse toda a organização do sistema de transporte público, as pessoas me conquistaram por lá, com seu calor humano e olhar alegre. Me senti mais confortável naquela “Ásia cariocada”, afinal.

Visitando o centro da cidade em nosso roteiro, conhecemos o Memorial Chiang Kaishek,. Este memorial foi feito em homenagem ao líder da insurreição que trouxe a condição política esdrúxula que a ilha-país vive. Nesse memorial-parque, estão também os dois prédios da Opera House (um está na foto lá em cima). Aliás, estes dois prédios são exatamente iguais, um de frente pro outro. Em um só tocam sinfônicas e orquestras ocidentais, e no outro, só orientais. Em suma, separando as culturas sem dó.

Taipei 101

O Taipei 101 de dia e de noite, com a iluminação em arco-íris que lhe é peculiar.

Uma escultura em forma de boca (ah, Salvador Dalí se revirando…) iluminada numa das ruas do centro novo.

Mas é quando chegamos ao centro novo de Taipei que a gente se impressiona de verdade. Não dá pra não babar. É cada prédio mais moderno que o outro, cada rua mais bonita que a outra – e é nessa profusão de modernidade que está a recém-inaugurada (31/dez/2004) jóia de Taipei: o Taipei 101.

Taipei 101 é o edifício mais alto do mundo atualmente, além de se auto-intitular o mais seguro (vi um programa no National Geographic Channel sobre ele, realmente é de espantar a rapidez com que é evacuado em caso de emergência). A idéia do prédio em vidro é parecer um bambu, planta tão ligada aos orientais, afinal.

Parece, mas diria que ele é melhor como monumento à grandeza, única e simplesmente. 101 andares de pura estética contemporânea, sustentados por uma estrutura esférica enorme no centro (600 toneladas), que diminui as vibrações do prédio frente aos possíveis ventos.

O Observatório do Taipei 101

A emoção de entrar num elevador e ir do 5 ao 89 em menos de 40 segundos: Taipei 101, esse é o endereço.

O observatório para visitantes fica no andar 89. Dessa maneira, não é recomendado para os que têm medo de altura. O visual é interessante, uma cidade aos seus pés. Imagino que fosse a mesma sensação de subir no finado World Trade Center, experiência que entretanto nunca tive.

Um prédio moderno com uma horta na frente – aproveitando todo e qualquer espaço disponível para algo útil.

Nos primeiros 5 andares, funciona um shopping center, com uma das melhores praças de alimentação que já visitei na vida. Afinal, eu queria ter 30 estômagos pra poder provar de tudo um pouco naquele lugar. Porque tudo tinha um toque de comida chinesa temperada perfeita. Por isso, deu água na boca só de lembrar dos cheiros!

Em Taiwan, ainda, visitamos a cidade-porto de Suao, onde desembarcam grande parte das pescas ilícitas da ilha. Mas como essa é a parte feia da história, está contada em outro post.

Por enquanto, fiquem com a Taiwan dos sonhos. Rebelde só no papel, contudo simpática e bem-cuidada na prática.

Tudo de bom sempre.

Booking.com
Lucia Malla

Uma Malla pelo mundo.

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  • hi, nice to meet u here.
    thank u so much for visiting Taiwan
    one thing i must tell u that Taiwan is not the rebel and Taiwan is a country by the way.
    it's a very long story and if u want to know u can ask me or u can search for it on the internet.
    sorry for direct comment

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Lucia Malla

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