Parte da tarefa fotográfica que tínhamos na Big Island era visitar mais uma vez o Parque Nacional dos Vulcões do Havaí. Era uma repetição de passeio sem problema algum, já que cada dia a lava está brotando num ponto diferente, o que torna a paisagem sempre nova. A idéia era ver o pôr-do-sol no local onde a lava escorre no mar, uma visita ao Kilauea que já havíamos feito em 2006 de forma inesquecível na nossa lua-de-mel. Afinal, piquenicamos à luz da lava.
Mas nossa visita ao Kilauea no fim de semana era para presenciar um dos grandes shows do vulcão recentemente. Afinal, a lava havia abocanhado na sexta-feira anterior um pedaço considerável da rodovia que leva até Kalapana [veja o vídeo para ver as cenas da rodovia].
A animação tomou conta da gente. Isto porque esta estrada está fora do parque, o que significaria melhores chances de ver a lava de pertinho (e melhores fotos, entenda-se bem). No parque, os rangers geralmente colocam as barricadas de proteção a muitos metros de distância.
Como a lava que escorre do Kilauea é de dois tipos. Pode ser do tipo ‘a’a, que eu chamo de “campos de sucrilhos”, devido a consistência quebradiça que fica depois que ela passa. Ou ainda a lava pahoehoe, que é super-lenta e gera as famosas esculturas de lava. Dá pra ver ambas sem maiores riscos a sua integridade física. Quer dizer, quase sem risco, porque os pulmões sempre estarão reclamando do ar sulfurado.
Leia mais: Como é o passeio de barco para ver a lava caindo no mar.
Chegamos para nosso dia de visita ao Kilauea no início da tarde. Decidimos primeiro passar pelo centro de informações do parque para saber exatamente o ponto de brotamento da lava naquele dia. Como sempre muda, é fundamental perguntar essa informação no dia que você vai lá para não perder tempo procurando lava em campo deslavado. No centro de informações, há sempre funcionários para explicar a geologia local, curiosidades, etc. e aproveitei que a guardinha falava com um casal para ouvir de lambuja os comentários.
Começamos fazendo a “ronda” tradicional pelo Chain of Craters Road, que é a via principal dentro do parque que passa pelas diversas crateras e zonas de erupção do Kilauea desde sempre, além das aberturas onde vapor do vulcão é expelido. Há placas indicando a data de cada uma das erupções responsáveis por cada pedaço da paisagem.
A primeira parada foi no observatório principal, o Jaggar Museum. É dali que temos uma belíssima vista para toda a cratera do Kilauea, em especial para o vent Halema’uma’u. Que, aliás, voltou a expelir gases em 2008 (quando estive lá da última vez ela estava paradinha, sem uma nuvenzinha sequer) e um dia depois da nossa visita seu teto literalmente caiu.
Leia mais: O dia em que pernoitamos na cratera do Kilauea.
Agora os sortudos que visitam o parque à noite podem ver o brilho da lava dentro da cratera direto do observatório. Do observatório, tirei uma foto com meu celular que postei no twitter, e o André capturou o exato momento do crime.
Foi a primeira vez que vi a cratera com tanta fumaça, achei o máximo. Mas, a consequência dessa fumaceira tóxica é que a Chain of Craters Road estava fechada dali pra frente, para evitar maiores problemas de saúde nos que visitam o parque. Então aproveitei o tempo extra para curtir melhor o museu do observatório, que conta mais da geologia da área e que tem na entrada uma rendição artística bacana da Pele, a deusa dos vulcões na cultura havaiana:
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Basicamente, o que está acontecendo na cratera do Halema’uma’u é um efeito sanfona: incha/desincha. O salão de magma subterrâneo enche de lava, o que aumenta a produção de gases ao ponto de que eles são expelidos; aí o salão desincha, dando espaço para mais magma ser acumulado ali.
A montanha do Kilauea basicamente cresce e decresce igual bolo, e os vulcanólogos percebem e medem isso. MUITO fascinante.
Bom, findo o passeio dentro do parque, tomamos o caminho de Kalapana, para o campo de lava mais fresco do dia. São umas 30 milhas de distância. O cenário no caminho já é indicativo do que o vulcão fez naquela comunidade. Muitas casas estão de pé abandonadas. Uma delas estava à venda… Quem quer morar na lava no Havaí?
A estrada para Kalapana obviamente pára quando se aproxima do mar, porque a lava destruiu a estrada há poucas semanas. De longe, já dá pra ver o fumaceiro gerado pelo encontro da lava super-quente com a água do mar fria (que na realidade mede ali no ponto de entrada cerca de 100ºC, mas ainda assim, fria).
Mas aí veio a decepção.
Embora fora do parque (ou talvez por causa disso), a área está sendo controlada e vigiada pela prefeitura da cidade, que só abre para observação de 5 da tarde às 8 da noite. É tudo gratuito, mas as barricadas para ver a lava escorrendo no mar estão mais longe ainda do que quando fomos em 2006. Então as pessoas se aglomeram num ponto de onde não dá pra ver perfeitamente o espetáculo, como a foto de abertura do post pode mostrar.
Percebi no entanto a presença de barcos que vão no pôr-do-sol para bem perto do ponto de entrada da lava. Tours talvez? Se for, é a melhor forma de ver lava escorrendo, porque os barcos chegam assustadoramente perto.
Depois de apreciar a luz da lava na noite de Halloween (que mesmo de longe ainda me emociona), foi chegada a hora de voltar. Rumo a Kona, onde mais um dia de aventuras no Havaí nos esperava. Mas essa história só no próximo capítulo. 😀
Tudo de bom sempre.
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Bom dia,
Sou leitor assíduo deste maravilhoso blog e há tempos indico em meu blogroll. Gostaria de indicar meu blog http://www.buenosairesdicas.com em seu blog?
Abraços
Eita Lu, que aventura! Adoraria um dia também poder chegar pertinho de um vulcão.
Thiago, pode deixar q na próxima arrumação de site, ele entra. Vai demorar um pouquinho, por n motivos, mas adiciono, sim, sem problemas.
Lucia, :) :) Beijoca procê!
Nossa. Perfeito!
Estou anotando todas as dicas :) Massa! Massa! hehehe
Alohaaa
Já estou ansiosa, dia 11/12 chego aí, vou fazer o cruzeiro e já estou com os passeios fechados... só estou preocupada com o Kilaueua, já q vamos ao parque dos vulcões!
Em q pé esta aí? o parque esta fechado? permitem visita? ainda em erupção?
Bjs e obrigada!!!
Paty
Olá Patricia, o parque não está fechado, a visitaçõa está normal. A erupção está acontecendo, e a lava que escorre atualmente está fora dos limites do parque - e nesta região fora do parque o acesso está restrito a moradores. Aloha!
Lucia, a lava ainda está fora do parque dos vulcões? Pretendo visitar no começo de 2016
Com esse acesso restrito a moradores, não conseguimos nem ver de longe?
obrigado
Oi Alexandre, a lava ainda não está de volta ao mar, infelizmente. Para ver a lava agora de perto, só fazendo uma das trilhas de dia inteiro - a lava que está perto das casas está por enquanto fechada à visitação. O mais garantido é ver num passeio de helicóptero, no momento. Aloha!
Lúcia, consigo ver a lava sem ter que ir nos Tours noturnos de 4h? Mandei alguns e-mails e eles disseram que meu filho (4anos) não poderia ir. Então, quero fazer algo que ele possa fazer sem risco. Estamos indo em Dezembro
Obrigada ☺️
Olá Patricia, para ver a luz da lava na cratera Halemaumau, dentro do Parque Nacional dos Vulcões, basta dirigir até lá. É um passeio que você pode fazer por conta própria, sem tour. Já para ver a lava caindo no oceano, é necessário uma caminhada de 7 km (14km ao total). Há famílias com crianças que fazem, principalmente porque na entrada da trilha há aluguel de bicicletas - minha colega de trabalho mesmo foi, com sua filha de 4 anos (mas ela tem um perfil bem aventureiro...). O passeio de barco para ver a lava é proibido para crianças menores de 7 anos, porque não é um passeio calminho, o mar ali é bravo. Espero ter ajudado. Aloha!
Oi Lucia, td bem? Estou adorando as suas dicas do Hawaii, de longe o blog mais completo sobre o assunto.. Então, fiquei um pouco confusa aqui, vou ir ao Hawaii agora em janeiro/2018.. dá pra ver o vulcão (a lava) indo de carro + trilha?
Ou precisa ir com um tour? Qual seria o jeito mais barato?
Obrigada
Oi Paula, desculpa a demora na resposta, estava de férias. :) Então, a lava neste momento não está caindo no mar. Dá pra fazer uma trilha e chegar até ela, longe da costa. A trilha costuma ser nível avancado para esse ponto onde ela está no momento. Quando ela cai no mar, aí a trilha é mais fácil. Aloha!
Ah, e o jeito mais barato é ir por conta própria, mas eu só me arrisco a fazer isso se a lava está caindo no mar... inland pode ficar bem charada para achar sozinho a lava.
Obrigada pela resposta!!! Entendi, mas como a lava não tá caindo no mar agora, nem adianta fazer o passeio de barco pra vê-la e ela está saindo em outro canto da ilha de mais difícil acesso.
Então mesmo pegando um guia/tour, eu também terei que fazer uma trilha de nível avançado pra chegar até ela, certo?
Ou tem alguma forma fácil de chegar até a lava agora? ;*
Oi Paula, vai depender do quão distante estará a lava no dia que você for em relação à trilha principal. Você vai precisar ver esta informação nos dias em que estiver aqui. Se estiver mais pra dentro do parque, aí é uma trilha mais avançada mesmo.