Pipai. Quando a gente é criança, em geral vê os pais como os grandes heróis de nossas vidas. Eles são aqueles que estão sempre ali ao redor, para te proteger de toda e qualquer ameaça. Não sou psicanalista, mas imagino que isso seja o padrão mais comum.
E quando eu era criança, tive a imensa sorte de ter um pai cuja cabeça estava em eterno espírito de jovialidade e brincadeira. As outras crianças o “invejavam” porque, diferente dos pais intelectuais e ocupados da maioria dos meus amiguinhos, ele esquecia o mundo lá fora e entrava na roda infantil com a cabeça de um moleque, sem preocupações ou receios, ensinando a rodar o pião com a unha, a jogar bolinha de gude “vera” (a mais difícil de todas) e soltar pipa; tudo junto com a gente, como se ele voltasse aos seus tempos de criança no Rio. Pipas, aliás, eram sua especialidade: montava a intricada armação de bambu com papel de seda colorido, fazia rabiolas enormes coloridas, tudo na medida certa para alcançarem o céu dos nossos sonhos mais azuis em malabarismos fenomenais.
Aí a gente cresce, e começa a ver que o mundo não é um eterno parque de diversões. E percebe que o herói que soltava pipa com a gente era na realidade um batalhador, que suava para se dedicar a uma carreira e à família, para pagar a escola e ainda arrumar tempo para brincar com a filha e os amiguinhos dela. Mas que conseguia fazer tudo isso com um sorriso feliz, como se cada pipa no ar fosse a reafirmação vital do seu jeito moleque de ser.
Hoje, apesar da minha idade, meu pai continua sendo meu “pipai”. Assim como eu provavelmente não cresci pra ele, ele também continua o mesmo herói – só que agora com toques de mais realidade e menos fantasia. Mas a pipa continua no ar. E entre altos e baixos, tropeços e festejos, o céu azul ainda é o limite dos nossos sonhos, seguros que estamos pelo mesmo carretel de linha. A felicidade da existência mútua.
Feliz aniversário e longa vida, papai!
Tudo de bom hoje e sempre pra você, o melhor pipai do mundo!
Maioridade: 18 Anos do blog Uma Malla pelo Mundo.
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Meu pai também é exatamente assim! Mas, em vez de soltar pipa, ele é um exímio contador histórias. Parabéns pro seu pai! Abraços
Lilian, saber contar histórias é um dom. Parabéns ao seu pai tbm! :)
Beijão.