Bonito & Pantanal

Sexta Sub: flutuação no Rio da Prata

A Sexta Sub de hoje segue o tema Bonito e é representativa da essência do ecoturismo na região. Afinal, estou aí fazendo a flutuação no rio da Prata ao léo, com piraputangas e vegetação exuberante.

Ela também é, por fim, a “chamada” para contar como é a flutuação no Rio da Prata em Bonito.

A flutuação no Rio da Prata

flutuação pelo rio da Prata foi eleita pela segunda vez consecutiva o melhor passeio do Brasil, de acordo com os leitores do conceituado Guia 4 Rodas. Por certo, não é à toa esta escolha. Porque é simplesmente o local mais imperdível de Bonito.

Na fazenda do Rio da Prata

Na casa-sede da fazenda, onde os turistas são recepcionados para o passeio de flutuação.

Chegando à fazenda do rio da Prata, chamada Cabeceira do Prata, de propriedade de Eduardo Coelho, já começamos a sentir aquela sensação de relax crescente. Esta sensação é garantida pela excelente recepção da Keila, que explica o passeio e as coordenadas do local em português e inglês tranqüilo para os turistas estrangeiros (que são em número significativo). Ali, no varandão, as pessoas começam a se animar para o passeio. Seja conversando com os guias ou seja provando as roupas de neoprene. Ou seja ainda simplesmente esperando a sua vez de subir no caminhãozinho que leva à nascente Olho D’água, onde então a flutuação começa.

O burburinho é grande, principalmente entre os que nunca estiveram ali. Entretanto, era nossa segunda vez no rio da Prata. Aproveitamos então aqueles momentos iniciais para trocarmos palavras com o prestativo gerente local e com alguns outros turistas. Além disso, observamos as jandaias que agora habitam uma árvore no quintal. Da outra vez que estivemos aqui, era contudo uma sucuri que acidentalmente embelezava a mesma árvore.

Jandaias (Aratinga solstitialis) no poleiro feito na árvore.
O Rio Olho D’Água, serpenteando pela mata.

Pela mata

O passeio é feito em grupos. Nosso grupo era composto por 10 pessoas, contando o guia e biólogo Marcos, para quem demos carona de ida e volta. Pudemos conversar bastante com Marcos sobre diversos aspectos do ecoturismo, da biologia e da sociologia de Bonito nos 56km de estrada. O caminhãozinho passa por dentro do pasto de gado nelore. Depois de poucos minutos chega-se à Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN) Recanto Ecológico Rio da Prata. A reserva ocupa aproximadamente 30% da área da fazenda. 




Trilha de acesso

Na trilha de 40 minutos que nos leva até a nascente do Olho D’Água, o guia explica sobre diversas árvores comuns da região. Comenta então tanto aspectos científicos como de conhecimento popular. Há uma aroeira linda e enorme logo no início. Logo depois, um peroba rosa e um jatobá, ambos utilizados medicinalmente pelos habitantes locais. 

A trilha é super-fácil de andar. Em determinado momento, avistamos uma ressurgência com água potável minando direto do solo. A sensação de ter a rara oportunidade de tomar água direto da fonte em forte contraste com nosso mundo atual poluído é indescritível. Chega a dar vontade de chorar de emoção. Fiquei com um nó na garganta, confesso.


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Na nascente do rio Olho D’água

Quando chegamos no fim da trilha, a visão é extasiante. A água cristalina, fruto da sedimentação facilitada que o excesso de calcário e sais de magnésio proporcionam. A água clara permite inegavelmente que vejamos os peixes e os pés das pessoas no fundo.

Antes da flutuação em si começar, damos uma volta na área da nascente. Que por certo já é de tirar o fôlego de tão linda. Um verdadeiro aquário onde piraputangas, dourados, curimbatás e outros peixinhos habitam. Ali também crescem algas que formam esculturas naturais submersas, muitas dignas de filmes abstratos. Estas algas pincelam em tons de verde a visão do paraíso aquático. Mas o que mais impressiona mesmo é o azul profundo da água cristalina. Inegavelmente inebriante.

Uma Malla em ecoturismo no rio da Prata. Pronta para o início da flutuação no rio da Prata. Por um caminho de água cristalina pela mata.

Depois do giro pela nascente (e com a sensação já de êxtase absoluto) começa o passeio “de verdade”.

A flutuação no rio da Prata

Começamos então a flutuar os 2 km do rio Olho D’Água e da Prata. O Olho D’Água é um rio estreito e raso. Em vários momentos temos a nítida impressão de que vamos “enganchar” nas rochas. Mas é só impressão; não engancha se você estiver flutuando direitinho. A diversidade de cenários é fascinante, um grande estúdio natural para fotografia sub. Além de um calmante maravilhoso para a saúde mental.

De vez em quando eu levantava a cabeça para olhar a mata exuberante ao redor e ouvir o canto dos pássaros. Mas esses momentos não duravam muito. Porque embaixo d’água tudo é tão belo, que você não quer perder um minuto de descida.

O Vulcão

Mais ou menos na metade do trajeto, nós saímos do rio e passamos por uma trilha. Naquele ponto, aliás, o rio possui uma corredeira mais violenta onde não dá pra passar flutuando apenas. Há uma micro-corredeira que a gente desce sem maiores problemas. Dali pra frente mais uns 20 minutos rio abaixo, encontramos o famoso “Vulcão”.

Pessoal voltando ao rio depois de uma corredeira.
O “Vulcão” levantando areia do fundo.

O Vulcão é uma ressurgência de água maior que as que vemos anteriormente, que “borbulha” constantemente no fundo. E levanta uma certa poeira na água cristalina… Nesse local do rio, há um deck de descanso, único ponto onde podemos descer em apnéia, para tocar no Vulcão. Lá embaixo, a sensação é de uma erupção de areia, muito interessante.

Depois de uns minutos ali, continuamos então a flutuação. Chegamos finalmente no rio da Prata, onde flutuamos por cerca de 800m. Ali, o rio é mais fundo, escuro, e a paisagem submersa muda significativamente. Esse trecho, aliás, pode ser percorrido de barco, caso a pessoa esteja cansada de flutuar. Nós, é claro, fomos pela água e fomos premiados com diversos dourados e piraputangas parrudos que moram por ali. Aliás, há muito mais dourados dessa vez que quando viemos aqui em 2003.

De volta à fazenda

Um dourado (Salminus maxillosus) nada pelo rio da Prata.

O passeio termina numa “arquibancada” de pedra cheia de borboletas. Quando cheguei naquele ponto, a sensação que tive foi de que ficara na água por menos de meia hora. Apesar do passeio de ecoturismo levar quase 2 horas em média. O fundo desse rio é tão cheio de cenários maravilhosos que não percebi o tempo passar, reflexo que praticamente todos sentiram em nosso grupo.

Na volta pra sede, um almoço de fazenda nos aguardava. Além disso, o grupo já mais entrosado esbanjava sorrisos. Conversei bastante com um alemão e um grupo de brasileiros. Estava estampado no rosto de todos a satisfação que é marca registrada do local. Afinal, o rio da Prata, há muito tempo, é também um rio de ouro no cenário do ecoturismo mundial. O Brasil pode se orgulhar dessa jóia única de nosso território.

Tudo de Bonito sempre.

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Lucia Malla

Uma Malla pelo mundo.

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  • Vi a indicação do seu blog pelo Idelber no "O Biscoito fino e a Massa", parabéns pelos seu blog é realmente muito bom, imagen linnnnndas, e o texto especial.
    Sucesso!

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Lucia Malla

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