Este é um tubarão-tigre, Galeocerdo cuvier. Mais especificamente, uma fêmea. Esta fêmea foi capturada praticamente ainda na infância, para pesquisa, por um breve período aqui na Universidade do Havaí. Enquanto estava no cativeiro, fomos visitá-la. Media cerca de 1 metro e meio.

Na realidade, duas fêmeas foram coletadas juntas, com pouca diferença de idade. Esta fêmea aí, assim que chegou no cativeiro, arrumou logo esse peixe amarelo (um filhote de xaréu dourado) como companheiro – e o peixe a seguia para todo lugar que nadava. Limpava sua pele, brincava, enfim, pareciam companheiros de longa data. A outra fêmea, um pouco mais velha, não tinha um peixe “amigo” na cola (talvez pela idade), e estranhamente não se adaptou ao cativeiro, tendo que ser devolvida ao mar aberto pouco tempo depois de capturada.

O tubarão-tigre e o peixe-piloto

A relação do tubarão-tigre com esse pequeno peixinho amarelo, o peixe-piloto, é apenas uma observação no caso dessa espécie em cativeiro. Portanto, carece de validade estatística (n de um não vale, né?). Entretanto, seria interessante ser aprofundada. Quem precisa de quem: o tubarão do peixe amarelo, ou o peixe amarelo do tubarão? Será que tal interação está relacionada à idade do tubarão – mais novo, mais maleável com os animais ao redor? Ou é apenas uma coincidência do cativeiro?

Fato é que tubarões-tigres são conhecidos por serem a 2a espécie que mais ataca humanos, e aqui no Hawaii, é a espécie que porcentualmente mais ataca (talvez porque seja, das mais agressivas, a mais abundante na região). Uma das razões disso também advém do fato de terem uma dieta extremamente genérica, provando (e aprovando) qualquer coisa que se mexa e seja de tamanho proporcional à sua fome no momento da caça. Enfim, é uma dessas espécies que você prefere não encontrar debaixo d’água quando está mergulhando.

Visita à fêmea de um tubarão-tigre

Então que a oportunidade de ver uma tubarão-tigre jovem de pertinho, e ainda por cima poder observar seu comportamento por algumas horas, foi a razão número 1 pela qual fomos visitá-la. Ela estava num cativeiro relativamente grande, e na maior parte do tempo, demonstrou o que todo tubarão bem alimentado faz: ignorou solenemente nossa presença e se restringiu ao extremo oposto de onde estávamos. Aos poucos, entretanto, foi ficando mais acostumada com a gente, e nadando cada vez mais próxima. Mais de 1 hora depois, finalmente nadou perto o suficiente para conseguir ser fotografada. Aparentemente também, ela achou muito intrigante a caixa-estanque da câmera sub, porque nadava e voltava sempre pra “inspecionar” o objeto, com olhos de muita curiosidade.

Cerca de dois meses depois, fomos visitá-la de novo. Ainda com o peixe amarelo na cola. Mas crescera absurdamente, chegando muito perto dos 3m. De modo que dias depois dessa visita, os pesquisadores a devolveram ao mar aberto, depois de servir de base para observações valiosas – e ainda deve trazer dados, já que foi liberada com uma tag de satélite.

Deve estar por aí, nadando pelo Pacífico. E me pergunto: que fim será que levou o peixinho (que agora deve ser peixão) amarelo? 🙂

Ah, curiosidades da vida….

Tudo de bom sempre.

P.S.

Lucia Malla

Uma Malla pelo mundo.

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  • Lúcia, lembrei daquele desenho animado em que tem um tubarão que é amigo dos peixes... muito interessante esse peixinho "amigo". Me lembra nós, humanos, que às vezes temos amizades que parecem tão improváveis, "esquisitas", mas que nos fazem muito bem. Viva a diferença! Beijão.

  • No filme o tubarão parece estar seguindo o peixinho (fome?). Fome: a pele do tubarão me lembrou um pintado (cachara); pintado na brasa.
    :)

    • Pois é, Anny, esse peixe cresce consideravelmente. A gente viu pequeno, mas hoje em dia... sabe-se lá o tamanho que está. Ciclo da vida, né? :)

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Lucia Malla

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