Todo ano, no dia 22 de abril – dia da Terra! – , escrevo algo lembrando a todos que hoje é um dia especial. Dia de celebrar nosso planetinha azul e principalmente refletir sobre as mazelas que vêm assolando-o direta e diariamente. Sobre os problemas da Terra em crise.
Entretanto, ando cansada dessas datas comemorativas. Acho discutir tal “tema” (é a nossa casa, puxa!) importante, necessário, fundamental pro nosso futuro. São dessas discussões que brotam ideias que podem mudar nossa perspectiva. E se espalhar feito formiguinha até chegar àqueles que realmente podem mudar leis, reforçar soluções, gerar mudança de atitude.
Mas não dá também para discutir opções de melhoria do planeta no ambiente virtual com os olhos fechados pro mundo real. Para o número absurdamente alto de homeless (os mendigos americanos) que moram no parque ao lado de onde trabalho. Todo dia de manhã, indo pro laboratório, vejo-os acordando, tomando café em praça pública, quartos improvisados sob a sombra de árvores. Vidas mudadas pelo desemprego assustador que assola o estado do Havaí (e os EUA como um todo), consequências de uma crise econômica que em nada considerou o planeta em si. O Havaí depende do turismo. Desde que a crise começou, a ocupação dos hotéis tem registrado os níveis mais baixos da história recente. Um caos.
Por enquanto, a recessão também leva à diminuição geral do consumo entre os americanos. O que é bom, numa mentalidade egoísta e de “o planeta acima de tudo”. Mas sem consumo, a movimentação da roda da economia para. Assim sendo, mais pessoas vão passar a noite ali, ao relento no parque. Sem dúvida a superpopulação é um problema: exaure recursos, gera insustentabilidade e poluição, dizima espécies e ecossistemas. Mas mesmo se – e aqui entro no terreno da utopia completa – parássemos de nos reproduzir agora… Ainda restam uns bons bilhões cheios de problemas estruturais básicos, sobrevivendo e não vivendo no planeta. O que fazermos para dar dignidade a essas pessoas que já estão aqui, sem opções a não ser esperar pela volta do consumo? (E consequentemente pela volta da degradação do planeta.)
Gerar empregos de forma sustentável é a alternativa que vem sendo felizmente vislumbrada. Vemos exemplos por aí de formas bem plausíveis e inteligentes para solucionar esse círculo vicioso. Mas ainda esbarramos numa constante. Quando se precisa escolher entre o mais barato e o mais ecologicamente correto, a maioria das pessoas que mal têm dinheiro para se manter vai decerto escolher o que afeta menos ao seu bolso. E dane-se o planeta. É esse o ponto que acho mais crucial e cruel da atual crise. Será que ela está realmente gerando uma mudança de atitude no consumo? Ou é apenas um aperto momentâneo, e quando a crise passar, volta-se a os níveis de consumo passados? Será que aprendemos algo com ela que melhorará o prognóstico pra Terra em crise?
Como fazer a curto prazo para desfazer essa roda-viva de interesses diferentes, das pessoas e do planeta? Como tornar a vida de todos, pessoas e planeta, feliz? Como a gente faz a nossa parte para isso?
São as minhas questões pessoais para o dia de hoje.
Alguém tem alguma resposta?
Maioridade: 18 Anos do blog Uma Malla pelo Mundo.
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Arrisco dizer que a resposta é muito simples, Lucia, e que todo mundo a conhece. Não se trata de nenhuma "tomada de consciência", mas simplesmente de uma resolução na ação: agir pensando que o mundo não foi feito para mim, que existem outros, que devo conviver...
Enfim, não existe algo tão 'cafona', nem tão necessário :D
Catatau, mas aí que eu vejo a distorção cruel da coisa. Muita gente sabe que o mundo não foi feito só pra ele, q há outros etc. Até querem agir assim. Mas hoje, na hora de escolher, ainda tomam decisões (agem) no sentido oposto, pq é economicamente mai$ intere$$ante.
É essa dicotomia "da prática" q me intriga.
Rafael, eu acredito no poder do boca a boca. Acho fundamental disseminar informações. Mas acho q é necessário tb maior atitude de nossos governantes, da sociedade como um todo, para tentar resolver essa dicotomia economia x planeta. (Se é q realmente é uma dicotomia...)
Obrigada por divulgar sua nova empreitada aqui. Sem dúvida, darei uma olhada com carinho.
Abraços.
Concordo com Catatau. Hoje estamos vivendo em um planeta onde tem prevalecido o individualismo.
Como diz o outro: "só se faz alguma coisa quando a água bate nas nádegas...". Ou seja, quando a coisa realmente ficar feia, daí sim as pessoas criarão uma conscientização maior. Por enquanto é conviver com isso, mas sem deixar de fazer campanhas de preservação.
Beijos!!
Viviane
Lucia, creio que mesmo sendo economicamente mais rentável, acredito que, através do exemplo e de um processo contínuo de educação informal - este que eu e você podemos fazer com nossos amigos - conseguimos desvincular pouco a pouco a visão de mundo comum, de que bem-sucedido é quem tem dinheiro, carro importado, iate e aparece na Caras. As tecnologias, ferramentas, estratégias e modelos estão por aí.
Hoje, neste dia especial, estamos lançando a Coolmeia - Ideias em Cooperação, cujo site (www.coolmeia.org), comunidade (www.coolmeia.ning.com), wiki (www.coolmeia.org/wiki) e futura rede de blogs (www.coolmeia.org/favo) estarão totalmente voltados não só à divulgação mas principalmente à integração do conhecimento que já adquirimos em diversas áreas e que nos possibilitarão efetuar mudanças na percepção humana, melhorias sociais e ambientais de forma crescente e eficaz.
Quando puderes, peço a gentileza de leres nossa Carta de Princípios (http://www.coolmeia.org/quem-somos/carta-de-principios-da-coolmeia) e, se de alguma forma quiser ajudar, a Coolmeia está mais do que aberta à sua participação.
Oi Lúcia,
Acho que não existe solução a curto prazo.
A resposta é cada um fazer a sua parte não só na ação como na comunicação, esperando efeitos a médio e longo prazos.
Assim, vc age de acordo com o que acha que será melhor para o planeta - de hoje e de amanhã - e passa essa sua convicção para outros - filhos, amigos, família, vizinhos - aos poucos, sem impor.
Eu acredito que no médio prazo, a educação das crianças de hoje já irá mudar muita coisa na forma de vida que teremos daqui a 30 anos.
No curto prazo, a única coisa a fazer é agir no dia a dia, de forma consciente, aqueles que tem conhecimento, e divulgar esse conhecimento para quem ainda não se tocou.
Por mais pessimista que eu fique em algumas situações, ainda acredito que estou fazendo a minha parte e que isso vai ajudar a prolongar a vida da nossa espécie no futuro, nem que seja só mais um minuto!
Vim aqui e não consegui deixar um comentário que prestasse...eu só penso em desenvolvimento sustentável como solução, mas o capitalismo, o capitalismo, money, money, moneyyyyyy....
Bjos
Eu acho que simplemsmente pensando um pouco sobre se existe mesmo a tal realção entre "consumir" e "ser feliz". Consumir, significa muitas vezes disperdiçar recursos, e comprar coisas que serão jogadas fora. Penar um pouco "eu preciso mesmo disto" antes de comprar me parece um bom começo.