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Um diabético no Everest em 2005?

Meados de março chegando. Para os portadores da febre do Everest (como eu) começa a época de ficar ligado diariamente nos updates e notícias vindas do Nepal – via EverestNews, é claro, o site oficial agregador das expedições. Aos poucos, os grupos de montanhistas que tentarão chegar ao topo vão tomando conta da região. Como todos os anos desde que a escalada se comercializou, muitas bizarrices podem acontecer… Afinal, a festa no acampamento-base não pode parar!

Serão irmãos americanos que tentarão subir juntos. Uma expedição de mulheres chinesas. Outra de iranianas que estão tentando pela segunda vez, pois da primeira vez por razões sócio-políticas foram impedidas de sair do país. Uma expedição catalã. Os já tradicionais-comerciais como Mountain Madness. Uma expedição em prol da cura para o câncer, entre outras mais. Mas, meu destaque pessoal vai para a tentativa de Will Cross de ser o primeiro diabético no Everest.

O desafio de Will Cross

Will Cross é diabético tipo 1 (ou seja, dependente de insulina para sobrevivência) e foi o primeiro diabético a chegar ao Pólo Sul. Bom montanhista, ano passado tentou subir o Everest. Mas voltou a menos de 500m do topo, por problemas em seu estoque de oxigênio pessoal e de uma hemorragia na retina em seu companheiro de escalada. Ou seja, ele praticamente chegou lá já no ano passado!

Will Cross, o primeiro diabético no Everest. Imagem cedidas pelo próprio em seu mídia kit.

Este ano, tentará mais uma vez. Com a diferença de que levará consigo uma bomba de insulina. Certíssimo: não confiará apenas nas injeções, visto que se for acometido de qualquer “mal da montanha” na região acima dos 8,000m (conhecida como “Zona da Morte”), ele não pode se dar ao luxo de viajar na maionese e delirar se precisa de insulina ou não. Precisa estar com ela já injetada em sua corrente sangüínea, e pronto. A diabetes não pode em momento algum ser um problema para ele lá em cima. Afinal, a mais de 8,000m, para qualquer ser humano a vida já é bem cheia de problemas e dificuldades.

A ida de um diabético tipo 1 ao topo do mundo só reforça a idéia de que diabetes não é doença: é condição. (Já havia dito isso nesse post anterior e volto a reforçar a idéia de que depende de cada um transformar a diabetes em doença.) Sabendo controlá-la direitinho, a vida pode seguir em frente, livre, leve e solta – até a 8,848m de altura, no topo do mundo.

Tudo de bom sempre para os aventureiros deste ano no Everest. E ficarei ligada, torcendo.

P.S.

  • Embora escalada para este ano a comemoração dos 10 anos do Brasil no Everest com a tentativa de Waldemar Niclevicz e Irivan Gustavo Burda, o EverestNews nada noticiou até agora dessa expedição. Será que vai ou não vai? É esperar pra ver.

Atualização

Will Cross conseguiu! 🙂

Lucia Malla

Uma Malla pelo mundo.

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Lucia Malla

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