A entrevista viajante de hoje é com o Daniel Bender. O Bender é o responsável-mor pelo blog coletivo de viagens Goitacá, onde escrevo de vez em quando. É ele que dá os puxões de orelha necessários na galera quando o blog desanda, que elogia e organiza aquela paragem internética. Ele também tem seu blog pessoal, onde fala um pouco de tudo, mas principalmente de notícias bizarras, exóticas e de cerveja. Foi lá, aliás, que vi vários modelos de árvore de Natal feitos com cerveja, uma piada.
Mas fora da vida bloguística, o Bender é um moço de Novo Hamburgo, manso, educado e com um papo agradável. Ele me concedeu portanto a gentileza dessa entrevista pelo MSN há alguns meses. Mas devido a todas as confusões por que venho passando ultimamente, a entrevista só sai agora publicada no blog. Peço desculpas pela demora, mas antes tarde do que nunca, né? Com vocês, a entrevista viajante do Daniel Bender. Divirtam-se!
Daniel Bender: Eu sou um urbanóide. Eu e minha esposa na verdade. Tanto é que na nossa lua de mel não fomos para a praia nem para a montanha. Fomos para São Paulo.
Daniel Bender: Não que não tenha interesse pelo verde, que eu tenho. Já fizemos trilhas em vários lugares (inclusive a trilha inca), mas nas cidades nós nos sintonizamos mais.
Daniel Bender: Acho que o mais importante é a oportunidade. Em julho passado nós fomos para a China passear porque temos vários amigos morando por lá. Sabe como é, a galera do calçado e couro se bandeou para os lados de lá trabalhar e ficava insistindo “quando vocês vêm nos visitar?”. Bom, nós fomos.
Daniel Bender: Em novembro fomos ao Rio levar o carro do meu cunhado. Ele ia pagar R$ 800 para um caminhão cegonha, nós dissemos que levaríamos por menos. 😀
Somos muito competitivos em viagens…
Daniel Bender: Acho que nada ainda superou ter feito um mochilão na Europa em 2000. Naquela ocasião eu aprendi a gostar de passear e a interagir com gente de tudo quanto é lado do planeta. Também foi possível me comparar com os outros viajantes e decidir se o que lhes interessava também me interessava. Acho que foi amadurecimento forçado mesmo.
Daniel Bender: Seria possível separar os dois?
Daniel Bender: Como viajante eu aprendi a lidar com situações adversas. Como pessoa eu aprendi a lidar com pessoas estranhas. Mas é bem misturado, né? 🙂
Daniel Bender: Foi para Porto Seguro com a minha família, pai mãe, irmãos e tal. Na época eu não percebi isso, mas Porto Seguro reúne tudo o que eu não gosto. Axé , praia, gente chata, música alta, breguice, outros turistas xaropes. Tenho a impressão hoje de que a cidade é uma gigantesca armadilha para turistas, o que é injusto, claro, afinal muita gente gosta de lá. Só acho que é o meu inferno pessoal, ou seja, cada um tem o seu.
Daniel Bender: É, eu não gosto muito de praia. Gosto de passear na praia como eu passearia no campo, mas pára por aí. Ficar cozinhando na areia nunca me pareceu muito divertido.
Daniel Bender: Na China eu comi cobra, mas nada bate a cerveja de milho cuspido do Peru. É a chicha, acho. Maravilha culinária. Os índios a fazem mascando um tipo de milho roxo e depois cuspindo num balde. Depois deixam a meleca toda fermentar e bebem. Às vezes eles filtram. Mas só às vezes.
Daniel Bender: Não é ruim, mas é esquisito pacas.
Daniel Bender: Eu gosto de caminhar nas cidades. Gosto muito mesmo. Às vezes caminho muito mais do que o recomendável; a esposa, coitada, fica furiosa comigo. “Não era só 4 quadras, Daniel?” Mas como vamos saber de antemão o tamanho das quadras em Pequim?
Daniel Bender: Vejo os pontos que eu quero ir, dou uma olhada no mapa se a distância é menor do que 10 quadras e mando bala. Em São Paulo funcionou bem, em Pequim não (maldita cidade de avenidas grandes!).
Daniel Bender: Eu sabia mais do que os guias, coitados. Em alguns casos, claro. 😀
Daniel Bender: Durante o mochilão na Europa eu escutei bastante música porque estava só, mas geralmente evito música em viagem. Tanto por segurança quanto para aproveitar a companhia e também escutar o que o local tem a dizer. Mas sempre tento comprar um ou dois CDs de música do lugar antes de sair. Um belíssimo souvenir.
Daniel Bender: No Peru eu comprei um CD de uma banda chamada “El Viejo” que mistura os sons dos índios com heavy metal com muito bom gosto. Foi indicação de um amigo de lá. Eu adorei!
Daniel Bender: É verdade. Gente criativa esses peruanos…
Daniel Bender: Tem que ir. Morro de vontade de voltar lá e conhecer o resto.
Daniel Bender: Ainda não fiz nenhuma dessas viagens. Infelizmente, mas ainda sou um cara novo. O problema é que esse mundo é grande e o tempo é escasso.
Daniel Bender: O souvenir mais estranho seriam “duas bolas relaxantes” que eu comprei em Xian. A vendedora queria RMB 50, eu ofereci 5, ela retrucou e fechamos por RMB 10 (R$ 2,50).
Daniel Bender: É. Eu achei uma delas bonita e pechinchei o preço de apenas uma. Depois de fechado o negócio, a mulher embalou duas bolas dentro de uma caxinha tetéia. Ainda não usei. Mas só de pensar em não precisar mais pechinchar eu relaxo, comprovando portanto a eficácia do produto.
Daniel Bender: Eu gosto, mas tem um certo ponto em que a coisa começa a irritar. Eu simplesmente não tinha mais noção de preço algum e me limitava em sugerir o preço mais ultrajante possível para o vendedor me mandar embora. Funcionou quase sempre. Com as bolas não deu muito certo. Chegou um momento em que eu perdi completamente o tesão inclusive por isso e ficava debochando dos caras tentando vender desesperadamente. “Não, eu não preciso de relógios falsos porque tenho um implantado na cabeça”, “Não, eu já tenho sapatos, por que eu precisaria de outros?”
Daniel Bender: Alguns apontavam para mim e diziam que eu era “very bad, sir”. Outros só faziam “humpf” e me esqueciam.
Daniel Bender: A única dica de entrevista que serve para todo mundo é “planejem sua viagem financeiramente”. Depois não adianta ter a oportunidade, ter o tempo, ter vontade e nao ter grana para gastar. Viajar pode custar caro ou barato, o que vai definir isso é o quanto for planejado.
Daniel Bender: Ainda não planejamos. Há a possibilidade de ir para o Uruguai visitar a Nospheratt (ainda não combinei com ela, hehe). Há também a vontade de ir para a África do Sul (agora só falta a grana, bah) e para a Terra do Fogo. Pensando bem, há a vontade de se conhecer o mundo inteiro. Olha, ser um cara curioso é um saco!
Maioridade: 18 Anos do blog Uma Malla pelo Mundo.
Começo 2021 no blog resenhando um dos livros que mais me marcou em 2020, "Slavery…
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