“Você acha que o possível desarmamento da Coréia do Norte abre caminho para a reunificação das Coréias? Mas como é que fica essa questão de regimes políticos diferentes, predomina o da Coréia do Sul?”
Esta foi a interessante pergunta que o Marcus fez nos comentários do post passado.
Antes de mais nada, Marcus, obrigada pelas perguntas. Achei contundentes e pertinentes. Achei também que seria melhor respondê-la na forma de post, principalmente acrescentando algumas opiniões pessoais derivadas das histórias e mais histórias que ouvimos estando aqui, tão perto da situação toda, a apenas 45 minutos de metrô de Seul e a menos de 2h de carro de distância da Zona Desmilitarizada, na fronteira com a Coréia do Norte. Vamos então à batata quente.
As Coréias foram divididas após a Guerra da Coréia, cuja troca de balas terminou em 1953. Entretanto, nunca foi assinado um tratado de paz, apenas um armistício de cessar-fogo. Portanto, tecnicamente, os dois países ainda estão em guerra. Embora é claro, não haja troca de balas, bombas ou coisas similares no momento.
A Guerra em si foi o primeiro conflito após o fim da Segunda Guerra Mundial entre Aliados capitalistas (liderados pelos EUA e Japão) e a Cortina de Ferro comunista (liderados pela China), no melancólico período da Guerra Fria. É considerada pelo próprio Exército americano como uma das mais frustrantes já enfrentadas pelos americanos e ganhou o apelido de “Guerra Esquecida” (Forgotten War). Os EUA nitidamente não estavam bem-preparados para guerra naquele momento (pouco orçamento na época), principalmente para o estresse da pouca mobilidade dos exércitos nem para o rigoroso inverno da região. O palco principal da guerra foi Seul, e de lá não avançou nem retrocedeu.
No armistício declarado em 1953, os exércitos localizavam-se na zona do paralelo 38, e em torno dessa zona foi constituída a zona desmilitarizada (DMZ), que seria uma região amistosa por um período de tempo até que se chegasse a um acordo sobre o fim da guerra. Ao norte, o exército chinês com a liderança das províncias do norte; ao sul, o exército americano com a liderança das províncias do sul lideradas por Seul.
Bem, estamos em 2005, e a DMZ ainda está lá, e nenhum acordo foi firmado.
Mas é claro, o mundo mudou. A guerra da Coréia foi um conflito da Guerra Fria, que há tempos já acabou, sepultada que foi com a Perestroika de Gorbachev (quando adolescente, ao invés de Tom Cruise, era do Gorbachev que eu e uma amiga maluca colecionávamos recortes). Mas a diferença dos regimes entre os dois países que derivaram da separação pela DMZ continua marcante, gritante, e impedindo um avanço maior das negociações.
É preciso entender que coreanos do norte e do sul são um só povo. Podem estar separados por uma causalidade da guerra, mas têm em comum muitas tradições, uma língua cujo alfabeto é único no mundo, e principalmente raízes ancestrais. É a ancestralidade, esse valor tão estimado pela sociedade oriental, que mais choca aos coreanos em si quando se fala nessa divisão política.
No sul, sempre que perguntamos algo sobre a Coréia do Norte, a resposta vem com aquele ar melancólico, como do filho cujo pai saiu de casa pra comprar pão e nunca mais voltou. Mas que continua com a esperança de que o pai um dia bata na porta novamente. Os sul-coreanos até pouco tempo atrás eram totalmente proibidos de visitar o norte – exceção feita hoje em dia para algumas regiões de turismo nas montanhas próximas à DMZ que o seu Kim do Norte decidiu abrir para angariar alguns wons do sul.
Além disso, a Coréia do Sul envia quantidades absurdas de comida, medicamentos, fertilizantes e outros produtos básicos para os irmãos do Norte – o caso mais famoso é o do dono da Hyundai (fabricante de carros) que é um coreano do norte que mora no sul, fugitivo do sistema comunista e que se dedicou a construir algumas das várias pontes que cruzam a DMZ, assim como a ferrovia que liga sul ao norte, por onde mantimentos e etcétera fluem.
Óbvio, esse envio de produtos não é puro altruísmo. E agora, eu passo a me aprofundar mais ainda no meu achismo de outsider e leiga em política.
O paralelo com a Alemanha pós-queda do Muro de Berlim é inevitável. Assim que o muro caiu em 1989, uma das primeiras providências que o governo alemão ocidental fez foi distribuir dinheiro para os alemães orientais gastarem com o que quisessem. Na época, se bem me recordo dos jornais, 2,000 marcos para cada um, bastando apresentar um documento de identidade. Veja só, se você tivesse um passaporte E uma carteira de identidade, você poderia apresentar os dois documentos separadamente. E ganhar o dobro – bastava entrar 2 vezes na fila. Isso foi controlado de forma bem porca pelo lado ocidental, pois o objetivo final na realidade era que o maior número possível de alemães orientais gastassem e se “maravilhassem” nas lojas ocidentais.
Portanto, o sistema socialista foi minado pelo seu maior inimigo: o capital. Deram capital a quem não o tinha, uma jogada de mestre que, à parte pelos problemas que o regime socialista já apresentava, pela situação política que já pairava com a Perestroika em ação e pela própria tradição alemã (mais uma vez, eles eram um só povo como os coreanos são), foi certamente uma significativa ameaça a qualquer intenção de volta ao sistema da Cortina de Ferro.
Eu sinto meio que a mesma coisa acontecendo com a Coréia. O Sul fornece todos esses presentes pros irmãos do Norte, mas a meu ver a mensagem subliminar é clara: Nós temos dinheiro e melhor qualidade de vida, temos tecnologia ao alcance de todos, e vocês, com esse regime opressor, o que têm? Pobreza, fome, bombas nucleares? Imagine numa analogia tosca todos os norte-coreanos “ganhando” celulares high-tech com câmera, acesso a internet e maravilhas afins. É jogo ganho para o capitalismo do sul, pelo menos essa é minha opinião sobre uma eventual reunificação das Coréias.
Mas outras questões se mantém fortes. A China, é claro, também quer seu quinhão de mercado consumidor. Além disso, tem fronteira com a Coréia do Norte – e lembre-se, porque a guerra tecnicamente não acabou, existem 30,000 soldados americanos estacionados aqui na península. A reunificação das Coréias seria a permissão para que a China tivesse fronteira com um país lotado de americanos (assumindo que os soldados permaneçam aqui por alguma razão depois da reunificação) e com influência mercadológica forte dos mesmos americanos. Isso poderia facilitar um maior policiamento sobre a questão dos direitos humanos na China, por exemplo. A presença americana tão próxima na Coréia do Sul seria uma ameaça que pode custar caro ao governo chinês. E não sei se Beijing quer pagar pra ver.
Fato é que, por medo ou sei lá o quê de uma possível invasão do Norte a Seul – e dada a quantidade de túneis que já foram encontrados na DMZ que no final tentavam isso – não é devaneio do governo coreano a proteção pesada que possui em seu palácio do Governo, estrategicamente encravado numa montanha em Seul. A área é toda murada, não se pode fotografar nem à distância sob perigo de prisão, de qualquer ângulo que você tente ver o palácio, ele estará encoberto por árvores ou similares, com guardas vigiando 24h por dia, ao ponto do governo federal se manifestar sobre os perigos do Google Earth para a segurança sul-coreana. Eu sei, soa como teoria da conspiração, mas é isso que a realidade nos traz ao abrir os jornais às vezes: um sabor de aventura e emoção jamesbondiana.
Em Seul, florescem vários rumores criativos entre os coreanos. Portanto, tudo que escrevo abaixo vem de conversas férteis com duas amigas relativamente bem-informadas, mas que não deixam de ser o que são no fundo: fofoca política.
Como alguns já sabem, a Coréia tinha planos de construir uma capital nova no meio do país. Aliás, chegaram a ir a Brasília analisar a experiência nossa de cada dia, etc. Entretanto, há poucas semanas essa idéia foi completamente descartada pelo Congresso. Agora, apenas as grandes empresas (gás, eletricidade, etc.) assim como alguns prédios do governo irão sair do perímetro urbano de Seul, não mais sequer das redondezas da cidade.
Antes, dizia-se que essa saída estratégica era para que Seul fosse “liberada” para uma provável invasão da Coréia do Norte. Existiriam, portanto, nesse caso acordos secretos sendo feitos para que, em troca do mercado norte-coreano, Seul finalmente fosse do norte, eliminando a chance de reunificação das Coréias. Agora, como a idéia da moderna capital no centro do país foi pro beleléu, diz-se à boca miúda que Seul está sendo reorganizada para a reunificação o mais rápido possível, e que o atual presidente deseja que tal compromisso seja firmado antes do término de seu mandato, para ficar com os louros da vitória. Nesse caso, o que seria feito com o Kim do Norte é teoria conspiratória a belprazer do cliente.
E voltando às perguntas do Marcus… Sim, eu acredito na reunificação das Coréias. Além disso, acredito que o regime vigente numa futura Coréia reunificada será o capitalismo. Por quê? Aposta pessoal, permeada com um pouco dessa conjuntura que citei acima. Entretanto, as nuances, problemas e questões reais que surgem daí são campo fértil para especulações mil… Use a imaginação política/estratégica/econômica/romântica/saudosista e viaje na maionese.
Eu viajo todo dia. Basta abrir o jornal.
Tudo de bom sempre.
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Comentários que estavam neste post quando ainda hospedado no blogspot:
Puxa, isso é que é resposta! Obrigado pela riqueza de detalhes.
Queria apenas fazer um comentário: essa questão dos 30.000 soldados americanos não me parece tão crucial assim.
Se houver um acordo de reunificação, ele implicará necessariamente em que eles não se movimentem de onde estão, e, com certeza, um plano de retirada gradual. Foi assim na Alemanha Oriental, que tinha, salvo engano, uns 200.000 soldados russos.
Gente que negocia acordos de paz sabe que não pode reinventar a roda do dia pra noite. Acabam tendo que se contentar, pelo menos temporariamente, com fatos consumados referentes ao passado.
Marcus Pessoa | Homepage | 09.23.05 - 4:52 am | #
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"...(quando adolescente, ao invés de Tom Cruise, era do Gorbachev que eu e uma amiga maluca colecionávamos recortes)..."
Credo! Se fosse algum dos Menudos ainda dava pra entender, os anos 80 foram uma década esteticamente problemática mesmo. Mas - pô - Gorbatchev?
Então esse povo queria vir a Brasília, inspirar-se para a construção de uma nova capital? Pois prenda-os aí se eles pensarem nisso outra vez - esse holocausto arquitetônico-urbanístico que é a Barnabelândia não pode se disseminar pelo mundo!
Conheço um pessoal que teria sugestões interessantes sobre o quê fazer com o Kim do Norte em caso de reunificação...
Beijos,
Alfred
P.S.: Estamos conseguindo acessar os Blogspot aqui na repartição (o SSoB acha que acabou o dinheiro para o firewall)!
Alfred E. Neuman | Homepage | 09.23.05 - 6:20 am | #
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acho que a comparacao com a alemanha é realmente inevitavel.o problema todo nao é ter dado capital aos que nao tinham...esse dinheiro nao durou nem meses, acho que o problema principal é que as pessoas continuam com essa mentalidade de leste/oeste. Eu moro no leste e vejo a diferenca das pessoas aqui e do oeste. Aqui as pessoas sao realmente mais amigaveis pq sao mais simples que no oeste (claro q existem excecoes!). Eu fui com meu namorado que é aqui do leste passar ferias na costa oeste...e meu proprio namorado foi discrinado! sendo alemao! é estranho mas essa rivalidade permanece dos 2 lados. uns se sentem deixados de lado, os outros pensam que o leste nao trabalha e fica atrasando a alemanha.
sera que ai nao aconteceria o mesmo?! no comeco todo mundo ficaria contente mas depois as diferencas nao aflorariam? A coreia do sul nao iria reclamar como a desigualdade aumentou ou como os impostos tiveram que subir pra ajudar a coreia do norte!? acho que depende muito da mentalidade do povo. nosso...fiz um discurso aqui hehe bjs!
Mi | Homepage | 09.23.05 - 6:33 am | #
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Uma reunificação é uma anexação, como aconteceu com a Alemanha. O que é desencorajador, já que, por mais que a Coréia do Sul seja razoavelmente rica, não chega a ser uma Alemanha, e a Coréia do Norte é maior (relativamente) e bem mais pobre do que a Alemanha Oriental. Se bem que talvez a República da Coréia tenha aprendido, com a experiência alemã, que não dá pra tentar passar o rodo e mudar tudo pra que só dê pra reparar que os países tenham sido dois pelo memorialzinho. Tudo bem que qualquer especulação esbarra na caixa preta que é a Coréia do Norte.
Os soldadinhos americanos estão na Coréia de reféns, mais do que qualquer outra coisa. Se o KJI desintegrar Seul, vai ter desintegrado uma divisão americana, forçando os EUA a entrar na guerra. Não creio que isso dê muito xabu com a China, que faz fronteira com o protetorado americano no Afeganistão, e pra quem 30.000 soldados não representam uma força assustadora. Nem eles têm intenção de conquistar a Coréia, ao contrário do que acontece com Taiwan.
Edited By Siteowner
Thuin | Homepage | 09.23.05 - 6:46 pm | #
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Será que a distância cultural entre as duas coréias não é grande demais para pensar a uma reunificação? A Alemanha até hoje luta para manter unido o que o muro separou, mas o abismo cultural entre as partes começa a criar uma divisão mais palpável que antes. Isso apesar do desejo das duas partes em se reunificaarem.
Allan | Homepage | 09.24.05 - 1:10 am | #
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Não tenho dúvida que a reunificação é uma questão de tempo. Seria mais fácil com um governo americano mais competente no esforço diplomático.
Leila | Homepage | 09.24.05 - 3:25 am | #
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Lucia, excelente post, como de costume. Um coreano que conheci aqui nos EUA me disse que o problema da capital era inverso: a questao da mudanca seria pra proteger Seul de um ataque norte-coreano (que oficialmente diz querer botar "fogo" na capital do Sul se "provocado"). Confere essa fofoca?
O problema da Alemanha Oriental tb teve muito a ver com graves problemas internos, ao que me parece, muito alem das jogadas capitalistas. Gorbachev foi capaz de ver isso, antes que toda a Europa do Leste explodisse de forma pior.
Enfim, acho que nessas reunificacoes nao existem vitoriosos necessariamente, ao contrario do que quer a historia oficial. Um pais paga pelos problemas do outro; e a desconfianca toma conta dos dois lados ate' a "cicatrizacao" das divisoes culturais, politicas e economicas (como disse Mi).
Na minha opiniao, essa regiao sofre de varios problemas: o interesse Chines, a politica externa americana pos-9/11 e o estranho regime de um ditador igual ou ate' pior do que Saddam Hussein. Ninguem se salva, vamos ver no que da'. E vc nos conta!
Abracos
Fernando | Homepage | 09.24.05 - 3:55 am | #
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Poxa, tomará que isso aconteça. Não acredito de nenhuma forma que essa política anti-nuclear seja boa pros EUA, mas é super benefíca entre os povos. Quer dizer que há chance de uma reunificação... O que os norte-americanos pensam agora é o que menos importa. Se é que ele tem tempo para pensar em algo com o Rita por ai!
Maitê | Homepage | 09.24.05 - 12:36 pm | #
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Pessoal amigo, vou dar uma resposta geral, pq acho q esse assunto tem muitos pontos não explorados pelo texto ainda e todo mundo escreveu aspectos interessantes para a discussão. É um tema controverso e elocubrante.
Antes de mais nada, Fernando, eu já tinha ouvido essa versão tbm da fofoca política, de que Seul estaria sendo evacuada para uma possível invasão norte-coreana encontrá-la vazia. Bom, a Grande Seul tem mais de 15 milhões de habitantes. Não acho que seria fácil evacuar. Existe tbm a provável mudança da principal base americana na Coréia, q fica dentro de Seul - no centro da cidade, mesmo. Há planos de que eles se mudem pra uma outra área mais afastada, e isso em tese "enfraqueceria" a cidade perante a ameaça norte-coreana. Não sei se essa mudança de localização tbm não englobaria um plano de retirada gradual dos soldados americanos da península. Eles não são muito bem-vindos pela população coreana em geral - o apoio à presença deles aqui vem do governo, não do povo. Não são poucas as passeatas anti-americanistas em Seul, principalmente na região próxima à Embaixada americana - um prédio aliás, que mais parece uma prisão, de tanta grade e segurança armada no quarteirão inteiro. Sem dúvida, a presença americana aqui é um entrave às negociações de reunificação. Mas nem por isso, o governo sul-coreano deixa de "ajudar" os coreanos do norte. Todo dia sai no jornal coreano um novo acordo, um novo produto que está sendo enviado... enfim, todo santo dia, a política norte-coreana e a possibilidade de reunificação são citados pelos jornais.
O Allan e a Mi colocam pontos importantes sobre as reais diferenças entre os dois povos em questão. Sinceramente, eles têm muita tradição em comum, muitos aspectos culturais. Mas há também um abismo econômico entre eles, fora a lavagem cerebral da propaganda governamental. Vou dar um pequeno exemplo: aqui passa às vezes na TV uns desenhos animados infantis feitos na Coréia do Norte. Sinceramente, o desenho é IMPREGNADO de mensagens e morais políticas, de como o capitalismo é um problema, etc. Existe uma "sacerdotização" de que o governo está sempre certo, de que não se pode contestar o regime, e principalmente da importância de um bom exército. Para crianças! Os valores nos desenhos são sempre colocados de forma que levem à criança a uma interpretação maniqueísta da sociedade em si. Eles devem ter um bando de psiquiatras e psicólogos infantis muito bons para conseguirem tal feito num simples desenho animado.
Agora imagine como isso não é para os adultos. Como bem disse o Thuin, o país é uma caixa preta - e os pequenos buracos que saem de lá não parecem muito bonitos, não.
(continua abaixo...)
Lucia Malla | Homepage | 09.24.05 - 5:55 pm | #
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(continuando...)
O sentimento de "o lado rico sustentará o lado pobre" pode até existir, mas no final das contas é isso que JÁ acontece. Os sul-coreanos nesse caso, não ouvem as ordens e pedidos americanos de não ajudar os do norte. Para o sul, ajudar o norte é fundamental. Afinal, é um mercado consumidor em potencial e ao ajudar, existe aquela leve sensação de que se cria um elo de dependência. Uma sensação de maior segurança pro sul.
Fora que uma ligação por terra com a China (com quem a Coréia do Sul já tem vários acordos comerciais) e consequentemente com boa parte do mundo (li uma vez no jornal sobre planos utópicos para uma ferrovia que cruzaria a Ásia e iria de Seul até Berlim ou Paris, não me lembro bem) é um fator que pesa nas avaliações tbm.
Outro aspecto interessante é o que o Thuin falou, dos americanos serem na realidade reféns aqui. Realmente, não acho que a China tenha intenções de anexar a Coréia, unificada ou não. Sem dúvida, a China se preocupa mais com o Japão (por umas ilhotas no Mar do Japão) e com Taiwan - a quem os americanos insistem em ajudar causando aquele desconforto em Pequim que a gente lê nos jornais. Bem lembrado, a China já tem um exército enorme americano próximo a ela, no Afeganistão, onde há um conflito armado real. Embora a fronteira entre China e Afeganistão seja pequena e uma terra inóspita - tem pouquíssimas cidades numa área de deserto -, não deixa de ser uma ameaça tbm. Portanto, o q são 30,000 soldados na Coréia, né? É um ponto a ser levantado, embora o exército americano na Coréia não dê um tiro sequer - não há conflito no momento, estando ele apenas em "estado de latência".
Nessa história toda, concordo com o Fernando: não haverá um vitorioso. Há uma série de conjunturas complexas ainda a serem resolvidas, e não acredito que todas serão, porque requer uma diplomacia extrema - e os norte-coreanos não parecem gostar muito disso.
Por enquanto, Seul continua sustentando Pyongyang, em oposição aos pedidos americanos insistentes de cessar ajuda, e a China continua com largos acordos comerciasi com ambas as Coréias. Vamos ver até quando essa panela de pressão aguentará.
Beijos a todos q comentaram, realmente um tema polêmico q faz pensar muito. Me sinto meio q jogando War - só q é de verdade.
Lucia Malla | Homepage | 09.24.05 - 6:17 pm | #
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Lúcia, só passei para te dar um beijo e dizer que está tudo bem ´comigo. Não consegui mais postar lá no blog.
Beijinhos
Alline | Homepage | 09.25.05 - 4:19 am | #
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Lucia, eu me expressei mal. O sul-coreano me disse que a intenção seria mudar o governo e os serviços essenciais pra fora de Seul, e não a cidade inteira. Por outro lado, o entrave não vem só do lado americano, pelo menos até onde eu li sobre o assunto. A China tem pouco a ganhar com a reunificação das Coreias, primeiro pela proximidade ideologica do Norte (já que esse regime dificilmente sobreviveria numa ambiente politicamente mais aberto) e segundo porque a Coréia passaria a ter o potencial de se transformar num adversário comercial ainda mais forte a longo prazo. O segundo componente da questão é justamente o regime do Kimmy Neutron. Ele certamente tem zero a ganhar com a unificação e não duvido que teria o mesmo fim, por exemplo, dos Ceaucescus quando o regime comunista caiu na Romenia. Enfim, é um jogo que vai além do ideal de reunificação dos coreanos; que é muito bonito, eu concordo, mas no fim acaba sendo apenas mais uma peça no cenário político (assim como em Taiwan). O anti-americanismo da juventude é natural, a situação vem mudando radicalmente nestas últimas decadas. Muitas posições yankees são insustentáveis. Mas suspeito que (assim como na Europa) os avós desses mesmos jovens tem outras lembranças da contribuição americana no seus respectivos conflitos.
[]s
Fernando | Homepage | 09.25.05 - 12:05 pm | #
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Mais um post ótimo, Lúcia!
Beijos
Ana | Homepage | 09.26.05 - 6:58 pm | #
meu Deus esse primeiro comentario foi horrivel e para falar sobre a coreia ou sobre a alemanha,e tambem hj em dia a coreia do sul e 1000 vezes melhor q a alemanha,a alemanha nao tem a mesma tecnologia o mesmo estilo de vida sul coreano,se ouvesse uma reunificaçao entre as coreia eu jogo q a coreia estaria entre as 4 maiores economias do mundo so a coreia do sul ja tem a fama de ser a 5 pais mais poderoso do mundo.