Havaí

Sexta Sub: águas havaianas

Hoje é o Blog Action Day 2010, um dia em que a blogosfera mundial se inunda de posts sobre um tema único. O tema deste ano é mais que essencial, além de pertinente e abrangente: “Águas”. E eu me pego pensando na água nossa de cada dia. Aqui, no meio do mar. As águas havaianas.

O ciclo hidrológico no Havaí

No Havaí, mais de 90% da água doce potável que chega nas casas vem de aquíferos no subsolo, que são alimentados por precipitação das chuvas – a água da chuva penetra no solo, passa pela camada de rochas vulcânicas que compõem as ilhas e fica naturalmente filtrada e fresca pelas paredes de lava que petrificaram, riquíssimas em minerais.

Só que, por estarmos em ilhas oceânicas, os aquíferos estão também circundados por rocha porosa derivada de corais mortos e sedimentos orgânicos. Tal proximidade da água salgada do mar gera o primeiro grande problema do abastecimento havaiano: a intrusão de água salgada. Afinal, não podemos beber água salgada. Esta intrusão acontece quando os níveis de água doce de um aquífero se reduzem, o que “força” o sistema a absorver mais água de onde estiver mais perto – no caso o oceano. Portanto, a qualidade da água que a gente consome aqui depende muito do clima. Afinal, sem chuva, não há água doce.

A sustentabilidade com as águas havaianas

Por outro lado, Oahu está obviamente cercada de água por todos os lados. Salgada, entenda-se. A água do oceano Pacífico é parte fundamental da cultura, da sociedade, do ecossistema local, da vida por essas bandas. E também da tecnologia. Vem das profundezas do Pacífico um projeto pioneiro que utiliza as águas havaianas do mar como fonte de refrigeração de prédios no centro de Honolulu. O projeto já foi bastante elogiado. Contudo, sua  plena implantação só será possível graças à proximidade de um grande precipício marinho. Porque a profundidade ao redor do arquipélago cresce bruscamente a poucas milhas da costa.

(E eu trabalho num dos prédios usados como “teste” para tal tecnologia. Vocês não imaginam a minha felicidade em saber que trabalho num prédio um tiquinho que seja mais “verde”… #pequenosprazeres)

Conclusão

Doce ou salgada, o fato crucial é que dependemos de água pra viver. A doce para nossa sobrevivência individual imediata; a salgada, para nossa sobrevivência a longo prazo, como espécie. E o Havaí, com tal dicotomia tão claramente entrelaçada e à mostra por todos os cantos por onde a gente vai, me serve como um exemplo rotineiro da intricada interação que fascina e mantém à vida.

Tudo de água sempre. Doce ou salgada.

P.S.

Lucia Malla

Uma Malla pelo mundo.

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  • Afinidade curiosa: aqui na Itália a água doce contém muito calcário, resíduo herdado do tempo em que tudo isso era oceano. O Parque da Valcamonica, na província de Brescia, bem mais ao norte, conta com inúmeros fósseis marinhos. Por esse motivo a água "pura" comercializada por aqui é extraída de nascentes nas montanhas, livres do calcário, mas também dos níveis mínimos de minerais que servem para matar a sede. Continuo usando o meu filtro. :)
    Off topic: uso o Mozilla e o seu blog sempre aparece-me fora de centro. A primeira letra dos títulos dos posts e a margem esquerda das fotos quase não aparecem. O problema seria só meu? Os outros blogs do Interney vejo normalmente.
    (???)

  • Allan, bem faz vc com seu filtro... ;)
    (eu não sei o q se passa com o blog no Mozilla. Pode ser q depois desse mega-update q o Interney fez as coisas tenham ficado mais dodgy. Coisas dos fantasmas da web... Halloween tá chagenado e vc sabe, eles se animam todos, hehehehe)

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Lucia Malla

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