Entrevista viajante: Sergio Leo

por: Lucia Malla Amigos de viagem, Artes Plásticas, Entrevistas

A entrevista viajante de hoje é com o super-jornalista Sergio Leo. O currículo do Sergio Leo postado em seu blog já podia dizer tudo para esta introdução de entrevista, mas deixaria de lado o mais fundamental. Competentíssimo jornalista do Valor Econômico nós todos já sabemos que ele é, e seu quinhão internético (ou melhor, “sítio“) demonstra isso a cada post de ironia requintada sobre as trapalhadas de nossos políticos em Brasília. Aliás, são verdadeiras pérolas políticas poéticas (gostou da aliteração proparoxítona?) como por exemplo, “Chove em Brasília, pondo fim a uma seca que já incomodava mais que a péssima qualidade dos parlamentares da base governista.”

Mas é no trato com os amigos, nas trocas de email com dúvidas e observações que descobrimos o quão gentleman Sergio Leo verdadeiramente é. Aceitou que esta Malla fizesse uma entrevista com ele sem titubear (“Que vengan las questiones!“). Ainda por cima (honra das honras), cedeu a foto de uma de suas produções artísticas exclusivíssimas (sim, ele também é um artista!) para ilustrar a conversa. Que é sobre viagens, é claro, afinal deixo para ele a tarefa de descascar o abacaxi das conversas políticas lá no sítio dele. Divirtam-se então com as viagens que o Sergio Leo me contou nesta entrevista por email – e que dei risadas ao ler. O triste foi constatar que, com esta entrevista, fiquei com gostinho de “quero-perguntar-mais” mas não pude. Vocês também não ficaram?

Entrevista viajante com o Sergio Leo

Auto-retrato - Sergio Leo - Entrevista viajante
“Auto-retrato”, pintura em cêra e pó de barba sobre acrílico, by Sergio Leo.

Você se considera mais ecoturista ou é ainda mais adepto aos passeios urbanos?

Sergio Leo: Sou mais um worktourist, Lucia; viajo mais a trabalho que qualquer outra coisa. Mas, apesar de meu carinho com as paisagens e aventuras, sou bem urbano. Não há shows de jazz na mata virgem, e os museus de arte nas praias e arquipélagos são tão raros…

Como você escolhe seus destinos? Amigos, curiosidade, internet etc.?

Sergio Leo: Deixo o destino escolher os destinos. Uma sugestão da parceira, uma matéria de jornal, um convite, o exílio algum dia, quem sabe.

Qual foi sua viagem inesquecível? Por quê?

Sergio Leo: Toda viagem é inesquecível, Lucia. Mas não consigo me lembrar de nenhuma em especial. Brincadeira. De todas, acho que foi mágica a de Amorgós [nota malla: fotos em 360 graus aqui], uma ilha grega quase na Turquia, agreste e linda, onde a comida é divina e há um mosteiro com uns frades que parecem saídos de algum filme edificante; após uma subida íngreme sob sol escaldante, te oferecem um licor celestial, uma espécie de jujuba abençoada e paz de espírito. Você aluga uma lambreta e percorre a ilha toda num dia. E tem as praias, o povo, as cabras. Com estas últimas não travei nenhum relacionamento, mas tinham lá seu charme.

E qual foi a pior viagem que fez? Por quê?

Sergio Leo: Joanesburgo. Viagem a trabalho, decidida de última hora, em que me recuperava de uma hepatite e me vi abrigado na casa de uma prima de um sujeito do setor administrativo do jornal. Cobrindo a Conferência de Meio Ambiente, coisa frustrante, e com o Fernando Henrique Cardoso e toda sua empáfia. Não recomendo.

Qual a comida mais exótica/ estranha que já comeu numa viagem?

Sergio Leo: Ovo de mil anos, em Hong Kong. Mas acho que me enganaram, aquele troço não tinha mais de duas semanas, embora parecesse tão podre quanto. Eles enterram o bicho (dizem que na China antiga, deixavam, de fato, por gerações) e, ao retirarem, a clara tem consistência e cor de geléia de mocotó Colombo. A gema fica cinza e com um exótico sabor de putrefação. Deixam pôr ketchup, se você fizer questão, mas acho ketchup intragável.

Você tem alguma mania ao viajar?

Sergio Leo: Sempre trago algum instrumento musical dos lugares aonde vou. Adoro a forma e a idéia de que posso carregar comigo um som especial do local que visitei. Outra mania é tentar aprender alguma coisa da língua local. Já quase me rendeu porrada em restaurante. É incrível como certas expressões e a má pronúncia de certas palavras pode te botar em encrenca.

Qual sua trilha sonora preferida durante uma viagem? Alguma música em especial?

Sergio Leo: O som local. Até música brega fica divertida fora de casa.

Qual o souvenir mais exótico que já trouxe de algum lugar?

Sergio Leo: Entamoeba colli, de Lima, Peru. Deve ter sido o pisco sauer, ou então aquela maldita sopa de moluscos…

Para finalizar esta entrevista, uma dica sua especial.

Sergio Leo: Ao visitar o Metropolitan, em Nova York, faça como os novaiorquinos, e, em vez de pagar os 12 ou 15 dólares que cobram aos turistas, estique uma nota de um dólar e peça uma entrada, que é a mesma coisa. O preço é sugerido; e eles têm bastante visitantes de países ricos para pagarem mais e garantirem uma boa receita. Outra dica: para fazer reservas, não só na França, como em várias partes do mundo, use o site da ferroviária francesa, a SNCF, onde tudo tem desconto.

E a próxima viagem é para…

Sergio Leo: Temo que para a Colômbia, a trabalho.

Solo me queda desearle un buen viaje, compañero!



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