Hoje é feriado na Coréia do Sul, oficialmente o dia da Libertação. Que nada mais é que a independência do país de seu dominador, o Japão, ocorrida há 61 anos. Interessante o uso da palavra “libertação” ao invés de “independência”: tenho a impressão que “libertação” é algo mais forte, mais poderoso para o coreano, embora imagine que a independência seja a maneira política de expressar a libertação de um país antes subjugado a outro e que signifiquem no fundo a mesma coisa. Divagações linguísticas à parte, fato é que o espírito orgulhoso nacionalista coreano está em festa hoje, e é sobre ele que ultimamente o governo federal se debruça. Há muitos e sérios problemas em ser estrangeiro na patriótica Coréia do Sul.
E eu sou uma estrangeira em terras coreanas. Mas não posso falar muito pelo meu caso ímpar: sou brasileira (um país muito exótico aos coreanos, do qual eles têm pouco conhecimento e informação mínima em geral), cientista (uma carreira intelectual) e casada com um brasileiro – melhor dizer “casada com um não-coreano”. Essas características reforçam a peculiaridade do meu status de estrangeiro aqui, e percebo peculiaridades em quase todos os brasileiros que moram aqui, afinal não somos muitos (a embaixada tem registrado cerca de 300 brasileiros). Somos uma exceção, não a regra.
Os demais estrangeiros que vivem em terras coreanas (a maioria) estão divididos a grosso modo em 4 classes:
Nos dados oficiais, são cerca de 750,000 estrangeiros vivendo na Coréia (~1.5% da população coreana). Não sei exatamente como se dividem entre as 4 classes acima, sei apenas que 32,000 militares americanos estão na península, número já suficiente para gerar protestos frequentes em Seul e adjacências de coreanos com sentimento anti-americano, gerado pela situação política da península. Mas coreanos não nutrem apenas sentimento anti-americano.
Um dos inúmeros protestos próximos à embaixada americana em Seul.
A Coréia do Sul é considerada um dos países mais hostis ao estrangeiro do mundo. Embora eu não seja uma estrangeira “comum” porque não pertenço a nenhuma das 4 grandes classes acima, noto bastante a atitude de estranhamento perante os não-coreanos. As leis e regulamentações para o estrangeiro são confusas, o que atrapalha os negócios das multinacionais. Além disso, a dificuldade de comunicação do coreano é considerável. Mais: a diferença cultural entre eles e o mundo ocidental é abissal. Por fim, ainda existe um grande sentimento de “homogeneidade” que eles prezam muito dentro do país.
Os coreanos, quando o assunto é casamento, não gostam de misturar seu “sangue” com os de outras etnias. Entretanto, por alguma razão (preconceito, confucionismo ou ignorância mesmo) existe uma aversão grande em doar sangue, e os coreanos dependem de importar sangue para manter seus bancos, de diferentes países. Ironia da vida, quando o assunto é doença, o coreano literalmente mistura seu precioso sangue sem saber com o de outros povos. Um peso, duas medidas. Fim do parênteses.
Para uma pessoa ser cidadã coreana, precisa ser filho de coreanos E nascer na Coréia. Se eu tivesse um filho aqui, por exemplo, ele não seria coreano. Afinal, não existe o chamado jus solis. Dessa forma, nenhum estrangeiro, por mais adaptado que esteja, nunca chega ao status de cidadão. Por isso, há casos bizarros como filhos de cidadãos coreanos apenas nascidos em outros países mas que vivem aqui há décadas e são, perante a lei, “estrangeiros”.
Onde melhor vemos a homogeneidade coreana: no metrô de Seul. Acima, duas amigas minhas que são “coreanas étnicas”. Uma é canadense e a outra é americana. Ambas moravam na Coréia, são filhas de coreanos. Mas, apesar da descendência, não são coreanas perante a lei.
Esse rigor no que é “ser coreano”, essa homogeneidade da raça, gera uma união no país de proporções inacreditáveis, característica aliás que ajudou a Coréia a pular de país pobre e subdesenvolvido para rico e desenvolvido em poucas décadas. Hoje, a Coréia tem uma economia forte, empresas reconhecidas no mundo todo (Samsung, Hyundai, LG,…), mas ainda não tem tanto espaço na mesa de negociações das nações ricas. Porque, para ir além, para dar esse salto qualitativo nas relações internacionais, precisa de mais multiculturalismo. O multiculturalismo é o elemento singular que gera criatividade e maior adaptação a adversidades em qualquer sociedade. Quanto mais diversidade, mais probabilidade de evolução, uma lei biológica que se expande nesse caso às sociedades. É a homogeneidade que agora navega contra eles, e impede, sob o mesmo ponto de vista, que a economia coreana se destaque mais no âmbito internacional.
E com tantos estrangeiro na Coréia, o governo, que não é bobo, decidiu agir. E estão preparando uma série de regulamentações da imigração para a Coréia que vão trazer uma reviravolta na sociedade. Como, por exemplo, a definição do que é ser cidadão coreano. As novas regras ainda estão em caráter embrionário, sugeridas a diferentes esferas do poder. Não surpreendentemente, o feriado da Libertação desse ano tem como principal temática a conscientização dessa necessidade de mais integração entre estrangeiros e coreanos. Só de ler jornais e entreouvir dos coreanos em suas conversas, já posso imaginar as consequências radicais que tais mudanças trarão. Para melhor ou para pior, não sei. Só o tempo dirá.
Tudo de bom sempre.
Maioridade: 18 Anos do blog Uma Malla pelo Mundo.
Começo 2021 no blog resenhando um dos livros que mais me marcou em 2020, "Slavery…
Quando pensamos em receitas para uma boa saúde e longevidade, geralmente incluímos boa dieta e…
Eis que chegamos à maioridade votante. 16 anos de blog. Muitas viagens, aventuras, reflexões e…
O ano de 2020 tem sido realmente intenso. Ou como bem disse a neozelandesa Jacinda…
Nesta maratona de resenha de livros que tenho publicado durante a pandemia, decidi escrever também…
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Eu me apaixonei ,pela Koreia eo que me motivou ,foi atraves de um documentario da Samsung na Direty algun tempo atras,falou desta empresa e do coral formado pelos fucionarios e de uma Banda chamada Noel ,eu amei .Tudo que fala sobre a Samsung e da Cidade de Kolbe me chama atençao ,gostaria de um dia poder conhecer.Eu so fico com pezar ,deles nao querer casar com Brasileira porque eu gostaria de casar com Coreano! Gostei do documentario seus,mas coloca video falando mais sobre musica ,dança mostrando cultura da Coreia do Sul ok. beijosssssssssssss
Eu me apaixonei ,pela Koreia eo que me motivou ,foi atraves de um documentario da Samsung na Direty algun tempo atras,falou desta empresa e do coral formado pelos fucionarios e de uma Banda chamada Noel ,eu amei .Tudo que fala sobre a Samsung e da Cidade de Kolbe me chama atençao ,gostaria de um dia poder conhecer.Eu so fico com pezar ,deles nao querer casar com Brasileira porque eu gostaria de casar com Coreano! Gostei do documentario seus,mas coloca video falando mais sobre musica ,dança mostrando cultura da Coreia do Sul ok. beijosssssssssssss
ola mais uma vez , de volta aos comentarios continuo nao achando video de musica ,dança e artes ,sobre a cultura da COREIA DO SUL .beijos
é uma nação que foi muito sofremento no tempo passado mais, agora muita rica no mundo e mais desemvolvido, eu gaba NAÇÃO DE corea porque eu esta preparado e esta em processo para vira ao corea, eu presiça a sua oração para encorajar me em viagem.
Você trabalha com o que ai na Coréia ?
Eu já não moro na Coréia. O texto é antigo (olhe a data no rodapé), Thay.
Sei que foi a muito tempo mais , a situação já esta mudando lá , as pessoas estão mais com a cabeça aberta para isso até porque lá esta sendo um dos lugares em que os próprios estrangeiros estão querendo visitar e até mesmo morar , por agora ser um lugar tão agradável e existir pessoas assim , e até mesmo o k-pop , esta ampliando mais as barreiras existem agora cantores tailandeses , chineses , americanos , canadenses e ate mesmo não-coreano ou descendente que mesmo que por pouco tempo fez sucesso , acho que isso de comportamento está totalmente sendo modificada , os jovens estão como outra consciência outro pensamento sobre oque ser e o que querem :/
Eu tenho muita vontade de conhecer a Córeia mas ao mesmo tempo foco receossa sobre isso. As pessoas tem muito preconceito contra brasileiros? Porque sempre leio artigos sobre preconceito lá e sempre engloba EUA, China, Japão e Europa, nunca vi falando nada sobre o Brasil. Como funciona, o preconceito é muito, brasileiros são bem aceitos ou não?
E sobre relacionamento, eles aceitam namorar com uma brasileira?
Eu acho que é relativo porque como ela disse muitos deles tem isso de não querer se "misturar"... Mas como Letícia disse ali nos comentários isso está mudando e os jovens estão tendo outro pensamento.
Eu espero que tenham mesmo pois eu também pretendo morar na Coréia ^^
Oiih rs, eu fico receosa sobre isso, mas vou começar agora a estudar coreano, eu tenho 16 anos e pensei bastante e tornei essa a minha meta. Estou sozinha nisso, mas eh muito bom ver que outras pessoas me entendem de certo modo e tem o mesmo sonho que eu, se pudermos nos ajudar, conversamos sobre nossos planos sobre isso, eu ficarei muuuito feliz ! Meu insta eh Angih.xavier, se você quiser também, pfvr me chama rs
Bijiinhooos !
Acho que meu sogro e sogra so aceitaram eu brasileira a casar com meu marido coreano pelo fato dele ser mais velho e eu tb se fosse ova nao seria aprovado eu sou divorciada do primeiro casamento e eu nao posso contar para ninguem da família deles.
Me casei com um coreano
Gosto da Coreia do Sul muito mesmo amo os Dramas e os Kpops
gostaria de um contato no facebook com alguem aqui do brasil que se interessa-se em dar aulas pra uma pré-adolescente que quer ir para a coreia do sul