Como falei num post anterior, na volta de nosso roteiro de Hilo a Kona, decidimos vir pelo norte. Assim cobriríamos afinal o perímetro quase todo da Big Island do Havaí. Este perímetro só não foi coberto completamente porque há uma leve “quebrada” para encurtar o caminho, chegando mais rápido em Kona pela rodovia.
Antes de sair de Hilo, fomos tomar café da manhã no Ken’s House of Pancakes, um desses lugares bem típicos havaianos de café da manhã. E que também ajudam a entender o porquê dos altos índices de diabetes entre os moradores das ilhas. Os pratos com muita gordura, doces e gigantescos, fartura de carboidratos, enfim. Como nós praticamos uma dieta bem regrada, a indulgência do brunch não foi um grande problema. Mas confesso que me espantei com o tamanho do taco, quase uma bacia e recheado de itens hipercalóricos como sour cream e guacamole. Ai meu pâncreas…
Saímos de Hilo debaixo de uma garoa que foi ficando cada vez mais forte. A primeira parada do roteiro foi no Jardim Botânico por algumas horas, que contei anteriormente no blog. Depois seguimos para as cachoeiras ‘Akaka e Kāhūna, que ficam num mesmo parque, o parque estadual de ‘Akaka.
Pensava que a caminhada até as cachoeiras seria algo “penoso”, uma trilha mais radical. Ledo engano. A trilha é literalmente asfaltada, com escadinha para chegar no ponto de observação e tudo. O que primordialmente atrai ainda mais turistas. Uma caminhada levíssima, que termina em um visual de sonho: a cachoeira de ‘Akaka. A cachoeira é um filete de água que cai de uma altura de quase 100m, quase virando fumaça ao fim de tamanha queda. Muito linda.
A poucos metros de distância, em trilha paralela, a outra cachoeira do parque: Kahūna. Também no mesmo estilo, altíssima e virando fumaça. A garoa que caía permitiu que um clima meio “Lord of the Rings” ficasse no ar, como se por exemplo um elfo fosse surgir daquele lago ou um unicórnio voador. Em menos de meia hora, depois dessa paradinha, já estávamos de volta à estrada recortada de vales e penhascos.
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Próxima parada do roteiro: o vale de Waipio. Residência no passado de uma população isolada de mais de 4,000 havaianos, o vale hoje é entretanto um lugar cheio de fazendas de inhame, cavalos e um riozinho que deságua no mar. Mas poucos moradores, porque a estrada de acesso é bem complicada, cheia de curvas, e requer tração nas 4 rodas.
O vale de Waipio é onde boa parte das cavalgadas inclusas em pacotes turísticos pela Big Island são realizadas. Do ponto de observação na extremidade do vale, um cenário belíssimo. Olhando para o mar, percebemos então uma nuvem enorme, densa e negra se aproximando. Tempestade à vista. O espetáculo ficou mais lindo ainda, porque a chuva que chegava ia trazendo uma nuance mágica àquele vale recortado.
Voltamos para a estrada, dessa vez no meio do caminho para Kona. A estrada passa em pastos enormes, cheias de cones e crateras vulcânicas. Por um lado, o Mauna Kea; por outro lado, o Hualalai, outro vulcão dormente da ilha. No caminho, passamos por Waimea (também chamada Kamuela), uma cidadezinha minúscula e fofa do Havaí, parecendo de brinquedo, com pastos ao redor. Bucolismo máximo. Um vento gelado e muitas flores na pracinha central típica: com igreja, escola, coreto e banquinhos. Paramos um pouco para admirar o ritmo pacato da cidade, que está a uma altitude considerável.
Já estava entardecendo. Em determinado momento, a estrada ficou ainda mais aberta. Então o Mauna Kea claríssimo apareceu, com sua cobertura de neve por cima. Carro no acostamento, hora de esperar o espetáculo, que aliás não tardou. Enfim, o pôr-do-sol com o Mauna Kea ficando amarelado. Depois rosado… Enquanto o Hualalai ficava então dourado. E o mar e o céu no horizonte ao longe alaranjado. Que aquarela!
A paisagem ao redor era típica de uma cratera lunar. Cheia daqueles cones coloridos, gramados de aparência abiótica. Uma viagem total. Um pôr-do-sol delicioso.
A noite caiu, e seguimos direto até Kona. Que é papo para outro post.
Tudo de bom sempre.
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Ver Comentários
Olá, parabéns pelas excelentes dicas. Vc está me ajudando a montar o roteiro de viagem. Surgiu uma dúvida. Vc acha puxado ir pela manha para o vale de Waipio e depois a tarde subir o Mauna Kea para ver o por do sol. Vamos em 4 com 2 crianças de 10 e 15anos. Obrigada Renata
Olá Renata! Não acho puxado, não, basta que você não se adentre muito pelo Waipio. O "problema" da subida do Mauna Kea é que você vai ter que parar no meio da montanha, no ponto de informações, e ficar ali pelo menos uma hora para aclimatar - subir direto é muito arriscado, principalmente com crianças. Então não gaste muito tempo no Waipio, esse é meu conselho. Espero ter ajudao. Aloha!
Por favor, qto km ou milhas entre uma e outra,,, e sem parar qto tempo demora? Obrigado
Olá Taylor, de Hilo a Kona, indo por cima como está nesse post, são ~80 milhas indo pela Saddle Road, que vai pelo meio da ilha. Se você decidir ir pela HI-19, que passa por Waimea, são ~100 milhas. Isso dá pra fazer em umas 2 hrs, sem paradas - mas as paisagens são tão lindas que acho quase pecado não parar... :) Aloha!
Oi Lúcia!! Estou planejando uma viagem para Oahu e Big Island na segunda quinzena de outubro e eu queria saber como é o clima nesta época e se vs acha que é necessário se hospedar em Hilo para conhecer a sua redondeza ou dá para ficar apenas em Kona?
Oi Regina, eu sempre aconselho ficar em Hilo ou em Volcano, quando se quer fazer a visita ao vulcão, principalmente porque ficando mais perto, você tem mais flexibilidade de ir à noite/madrugada para a cratera, e ver o glow da lava lá dentro - é um espetáculo incrível. De Kona, fica longe e muito cansativo para ir e voltar no mesmo dia. Tradicionalmente, o clima em outubro costuma ser bom, mais fresquinho. Entretanto, em 2015 outubro foi anomalamente quente e abafado, por causa do El Niño. Não se sabe como será este ano, se o La Niña vai trazer um pouco mais de frescor ou não. É meio charada, neste momento. Espero ter ajudado.