Sexta Sub: tubarão bate-volta

por: Lucia Malla Ciência, Sexta Sub, Tubarões

Na sexta-feira passada, a capa do Honolulu Advertiser estampava um quadro de meia página com uma foto de um amigo nosso ajudando a colocar um tag (marcação) em um tubarão-tigre, que estava em imobilidade tônica. A reportagem contava os resultados da pesquisa recente publicada no jornal peer-reviewed MEPS [abstract only] sobre o comportamento de tubarão tigre aqui no Havaí. E, pela reportagem de divulgação que saiu no Honolulu Advertiser, fascinante.

Tubarão bate-volta - comportamento do Tubarão tigre no Havaí

Comportamento do tubarão-tigre

O pesquisador Carl Meyer monitorou com transmissores de ultra-som por 4 anos o movimento de tubarões-tigre na costa havaiana. Então descobriu que esses animais, quando adultos, fazem incursões bate-volta nas áreas mais rasas perto das praias. Fazem isso possivelmente para patrulhar a região atrás de presas fáceis, sem padrão reconhecível nem de periodicidade nem de tempo gasto no local à procura de comida.

A estratégia de caça parece ser: quanto menos padrão, melhor. Ou seja, mudar de estratégia sempre é a melhor estratégia. Assim, a presa nunca está preparada para fugir pois nunca sabe quando o animal estará por perto ou chegando. O tubarão-tigre é uma espécie generalista, ou seja, não faz muita escolha de presa, come o que estiver à vista dele se movendo – e por isso, é um dos poucos que atacam humanos. Dos tubarões-tigre estudados, vários nadaram algumas vezes em áreas rasas de praias famosas do litoral do Havaí, como Kealakekua Bay. Ainda por cima, sem aparentemente terem incomodado os banhistas – que muito provavelmente nem perceberam a presença dele ali.

Leia mais: Como foi minha experiência de mergulhar com o tubarão-tigre nas Bahamas.

Divulgação dos tubarões

Além disso, uma notícia de ecologia sobre comportamento a longo-prazo de um animal selvagem (ciência!) descrita na primeira página de um jornal (o mais lido do estado) com um texto de qualidade e clareza bastante razoável – podia ser muito pior, convenhamos; sabemos o nível que as “editorias” de ciência em um jornal podem chegar, salvo raríssimas exceções. Confesso que fiquei impressionada.

Tudo de sub sempre.

P.S.



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