“Eu guardo em mim
dois corações
um que é do mar
um das paixões…”
(Danilo Caymmi, “O bem e o mal”)
Hoje é o Dia Mundial dos Oceanos. Todo ano eu faço questão de lembrar desta data aqui no blog – mesmo com todo mundo careca de saber que, para mim, todo dia é dia dos oceanos. (E como eu queria que a maioria também pensasse assim…) Há uma categoria inteira deste blog, com 112 posts (and counting…), dedicada às minhas declarações preocupadas, ensimesmadas, empolgadas, personalizadas, embasbacadas, politizadas, revoltadas, paralisadas, educadas, racionalizadas, animadas, enfim, apaixonadas – pelo mar. Não precisa me conhecer bem pra perceber o tamanho do amor que eu sinto pela zona azul do planeta.
Também não é desconhecido de ninguém que passeia por este blog o quanto apóio iniciativas e projetos de conservação de espécies, áreas e ecossistemas interligados aos oceanos, dado a gravidade da situação em que o mar se encontra. Mas me policio bastante para que não seja um apoio cego, ecoxiita. Procuro achar minha própria antítese, antes de abraçar uma tese – é um exercício que recomendo a todos. E mesmo depois de abraçar, permanecer de olhos bem abertos para a dinâmica das informações, que algo sempre pode surgir para confrontar e desmoronar suas “certezas”.
Ao abraçar uma causa ambiental, carregamos embutido responsabilidades enormes com outras vidas, humanas e não-humanas. Não é só salvar as tartarugas. É preciso principalmente dar alternativa aos que dependem economicamente delas no lado mais fraco da corda. Felizmente, percebo que boa parte das entidades conservacionistas vem aprendendo isso direitinho. (Os governos, entretanto… Muito a aprender ainda.) Como disse o Mike neste post,
“Conservation is never happening in a vacuum – it is being used to advocate legislation that in its marine context will deprive fishermen of income and quite possibly, of their livelihoods. With that in mind, we owe it to them, but also, to ourselves not to cheat and to use misleading perceived “marketing”, or whatever, but to be truthful and fact based instead.”
Eu acrescentaria que, muito além de não cairmos vítima do bluewashing, ao lidar com questões ambientais marinhas, não percamos nunca de vista nossa própria humanidade, com suas limitações e criatividade para resolver os problemas.
Tudo de melhor aos oceanos sempre. E àqueles, humanos e não-humanos, que dependem do mar para sua sobrevivência. Ou seja, nós todos deste planeta AZUL.
Maioridade: 18 Anos do blog Uma Malla pelo Mundo.
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Linda a poesia, Malla! E a prosa também...
De fato, esse é um grande problema do eco-chatismo, o de achar que o meio ambiente é um ponto isolado e que o ser humano não deve interagir com ele. Ora pois, somos todos inter-relacionados.
Uirá, o isolamento do ambiente é um problema sempre, mas acho que é um problema generalizado, de quem tenta simplificar para resolver as coisas. Mas há casos em que não funciona mesmo, e as querelas ambientais são um bom exemplo disso. Beijos.