Eis que 5 anos se passaram e parece que foi ontem que eu comecei a contar as minhas memórias de viagens neste bloquinho virtual.
Mal sabia eu naquele 09 de outubro de 2004, perdida na frente de uma tela branca em Ansan, Coréia do Sul, que, ao publicar minhas aventuras de recém-chegada da ilha filipina de Malapascua, começava uma jornada que renderia surpresas ótimas, interações, amigos, enfim momentos nota 10, e mais um tanto de aventuras que compartilhei com sorrisos.
Ilha de Malapascua, Filipinas: onde os relatos de viagens (e a festa!) começaram…
E que hoje, 5 anos depois e muitas milhas a mais, sentada na minha escrivaninha no Havaí, me emociona. 5 anos de muita satisfação nesta caminhada virtual, posso dizer.
Esta satisfação vem muito também da “regra” mais simples que uso: o blog é um espaço para eu me distrair escrevendo. Proponho-me a escrever apenas o que me cativa, pensamentos que de alguma forma considero interessantes, assuntos em que gosto de pitacar ou que simplesmente queira compartilhar. Proponho-me à diversão, e a dividir momentos e curiosidades com os amigos que me lêem. Não há uma linha editorial, muito menos uma pauta formal; há a necessidade profunda pessoal de se expressar, pura e simplesmente.
Sou uma otimista inata, cientista de profissão, fotógrafa de plantão, apaixonada pelo mar, curiosa com as idiossincrasias da vida, preocupada com os rumos que damos ao nosso planeta e que adora MUITO viajar. Além de outras nuances, que aos poucos aparecem aqui. Neste nanofeudo virtual, está nas linhas e entrelinhas um pouco da minha pessoa em suas mais diversas facetas – e tenho dificuldades em separar os pedaços de mim. O feedback em geral positivo que tenho me diz que faz sentido continuar neste caminho, sem encaixotá-lo num tema, adapatando-me às mudanças sem esquecer a ternura.
Pra mim já está de bom tamanho aceitar o caos nosso de cada dia e sorrir marotamente em cada passo da vida. Hoje tranquila sei que tudo que importa é que este espaço me divirta, me faça aprender, e que seja uma porta aberta para conversar com os companheiros de viagens (e quem mais quiser participar) sobre as mais diferentes experiências da vida e do mundo, quiçá até me revoltando de vez em quando com o status quo – tudo ao meu jeito malla de ser. A conversa não precisa nem ser relevante. Basta ser interessante e já cumpre meu objetivo com o blog.
Boa parte das pessoas que passam por aqui também me fazem refletir muito. Cada comentário, cada link deixado, é uma viagem em si, onde eu aprendo e cresço. A Lucia Malla de 2004 é muito diferente da de 2009 – e no fundo, no cerne, é quase a mesma. Gosto muito da frase do Dalí, que uso no meu perfil:
“Everything alters me, nothing changes me.”
Porque a gente é muito alterado pelo ambiente ao redor e graças às pessoas que tiram uns minutinhos para escrever aqui, me mandar email, falar comigo no twitter, eu vou aprendendo mais e mais. E não dá para não curtir esta interação, por mais virtual que seja. Porque ela nos mostra um pouco da diversidade da vida, das pessoas, das culturas, dos obstáculos, das vivências – perceber essa gama enorme de possibilidades é apaixonante e eu não me canso de me mesmerizar com isso. Mas no fundo, somos a mesma pessoa, porque há características da nossa personalidade que não mudam nem mesmo quando enfrentamos grandes obstáculos na nossa vida – a minha paciência de Jó que herdei da minha mãe é um exemplo de característica assim. Essa dualidade entre o que somos e o que nos tornamos é fascinante.
Mas é claro, estou viajando na maionese neste momento, como venho fazendo aqui, aliás, há 5 anos. Então vou parar com as divagações e começar o que interessa: a escolha do megalonarcisístico prêmio Malla Bloggel 2009 – edição especial de aniversário de 5 anos. Com vocês, a auto-linkania desvairada que celebra mais um ano de escrevinhações mallas pela blogosfera!
Para um tema do qual eu entendo quase nada, até que escrevi bastante neste ano sobre economia: 13 posts ao total. Declaro vencedor do Malla Bloggel o que comenta sobre o efeito econômico das mudanças climáticas, pela importância do tema pro nosso futuro em meio a crises e confusões sócio-políticas.
Óbvio: um tópico recheado de indicações. Confesso que tenho dúvidas em estabelecer um vencedor; foram muitos posts que adorei de ter escrito. Mas há 5 que, pela proximidade com que me tocam ao coração, se destacam: 1) meus comentários sobre as dificuldades científicas que as mulheres passam; 2) um triste problema colateral que surge no trabalho de campo no Brasil; 3) a contaminação dos peixes que comemos por mercúrio; 4) a alegria de ver um amigo publicar um artigo na Nature e ser citado pelo NYTimes; e principalmente 5) minha molécula preferida. Deixo a vocês escolherem qual seria o vencedor da categoria.
Este foi um ano de poucas resenhas. Apesar dos amigos lançando livros supimpas, não os resenhei – shame on me. Mas em compensação, foi o ano em que nos dedicamos (e nos divertimos) a fazer uma série de livros fotográficos, os “Over/Under”, cada um realçando um recanto da terra Brasilis: Fernando de Noronha, Bonito e Arquipélago de São Pedro e São Paulo. Como os 3 foram igualmente brotados, fica o empate técnico. 😀
Apesar de entender que somos todos seres políticos, mergulhados que estamos numa sociedade organizada, eu não gosto de escrever sobre política. Ela é extremamente necessária, mas não é minha praia de pitacos. Entretanto, é inevitável que de vez em quando escape uma ou outra opinião, dado que esbarro pelo mundo em diversas manifestações de caráter político que me levam a pensar e/ou indagar questões – e que termino trazendo para cá. Vocês decidem aí o que mais lhes apetece.
Qualquer lista que eu me empolgo a fazer (ou discutir) termina sendo boa de audiência no Google. Dentre as que se destacaram neste ano, a que mais curti foi a das praias do Havaí. Embora, preciso dizer, o post mais visitado é um obscuro e antigo que não tem absolutamente nada a ver com os assuntos que abordo aqui. Graças à Gloria Perez, o “Casamento na Índia” bateu recordes de audiência este ano. E eu fico totalmente perdida, porque escrevi o post em 2006, tentando narrar uma curiosidade do meu dia-a-dia na época, e parece que os comentaristas não captaram a mensagem…
Foi um ano de prêmios e livros. Por consequência de um prêmio, tivemos o prazer de ir a Itália, rever amigos e esticar até a Croácia. Onde tiramos mais fotos… Entretanto, destaco que a Sexta Sub se consolidou. Tem se tornado meu momento predileto da semana, escolher uma foto pra publicar na Sexta e, dentre as deste ano, a foto que mais gostei foi a do vaso de cerâmica, mas o post em si que mais me animei a escrever para a Sexta Sub foram na realidade 2: sobre os tubarões de Palau e sobre diabetes (até isso eu levei pra debaixo d’água…). Cada doido com sua mania.
Sou uma otimista de carteirinha, que tende a procurar por festa em todos os aspectos da vida. Levo esta tendência para onde vou. É claro, entendo as diversas complexidades e riscos que o mundo requer, que muitas vezes nos deixam bem desanimadas (como as maracutaias e afins da indústria farmacêutica, por exemplo). Mas não deixo de tentar entender também nosso lugar nem perco as esperanças de que um mundo melhor é possível, basta que abracemos de coração esta época de fazer nossa parte. Acho que o cerne de uma solução eficiente passa por aí.
Na realidade, foram milhares de visitas aqui, todas vindo de uma das pessoas mais ilustres do meu rol de amizades blogosféricas: o Idelber. Que escreveu um post que me surpreendeu e emocionou profundamente pelo tanto de carinho. Não me canso de falar: obrigada, querido! Você recebe este “prêmio” de visita super-ilustre sempre. 🙂
Quando eu me ponho a fazer “gracinhas” cinematográficas ou usar neologismos lastimáveis… sempre viram excelentes candidatos a pior título de post do ano. Não tem jeito. O post pode até ser legal, mas o título… afe.
Foram dois périplos relativamente longos que disputam este prêmio: o rolê por Bonito e pelo sul do Brasil em outubro do ano passado, e que, óbvio dos óbvios, ainda não terminei de blogar. E a viagem a Itália–Croácia com passagem -relâmpago pela Bósnia-Herzegovina e Eslovênia, em abril deste ano, que também ainda falta contar muita história. Ambas foram maravilhosas. Ambas foram as melhores. 😀
Nem tem discussão: ter saído daqui do Hawaii para passar um fim de semana animado com uma galera blogueira nota 10 a mais de 10,000 quilômetros: em Cancún. É a viagem vencedora desta categoria sem pensar nem meio segundo.
… foi parar no USA Today (olha o nível do mico…), e foi mais uma dessas viagens na maionese totais que surgem como resultado da equação blogueiros + muitas garrafas de cerveja: o twitter offline numa noite de muita risada no bar Devassa do Rio de Janeiro.
(Ou então essa bola de peixe de 7 quilômetros. Que viagem…)
A ilha de Lost, lógico! 😀 (Leia o post linkado para entender a piada… senão… você pode ficar atolado em Mostardas! 😀 )
Serei franca: gosto das araras e do cerrado. Mas cada dia mais sonho em poder desejar o melhor sempre às tartarugas marinhas, tubarões, golfinhos, arraias e outros seres do mar, que andam tão ameaçados. Sou fisgada por eles. E não me canso de lembrar deles, que sem voz para discutir com os “animais racionais” que somos, não podem reclamar das lambanças que a gente anda fazendo por aí na casa deles. Aos seres que vivem no mar, tudo de bom sempre, sempre.
A maior mallice do ano foi a overdose de posts do Havaí. A categoria, que até então tinha um número modesto de posts, agora cresce exponencialmente – and counting. Aí para “piorar” o caso, decidi desencanar de vez e celebrar os 50 anos do estado publicando por um mês inteiro só posts falando de curiosidades havaianas. Foi sem dúvida a maior demonstração de que eu sou literalmente uma malla: quando encasqueto com um tema, sai de baixo. 😀
Para todos vocês que tiram segundos do seu dia atribulado para lerem o que escrevo, refletirem, darem risadas e/ou viajarem comigo a cada post, cabe o merecimento de um prêmio da Paz. Porque este blog me trouxe tantas coisas bacanas, mas o que de melhor trouxe foram amigos e amigas, espalhados pelos 5 cantos do mundo. Graças a essa interação, aprendi um pouco mais sobre um monte de coisa, o que cada um me acrescentou com sua experiência de vida. Cada um que passa deixa seu rastro por aqui, me altera (como bem disse o Dalí ali em cima) e eu adoro esse compartilhamento, essa troca. Muita paz, para todos, sempre.
E como hoje é dia de Sexta Sub (aêêêê!!), resolvi comemorar os 5 anos da forma mais condizente ao meu jeito de ser: embaixo d’água, claro! 😀
Tin-tin azul a todos, glub-glub-glub!!!
Tudo de bom sempre, há 5 anos. E que venham mais!
UPDATE IMPRESCINDÍVEL: E que surpresa! Celebrar também neste dia o Nobel da Paz de Barack Obama! Bem que ele merece, hem? Emocionante! o/
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Ver Comentários
So tenho uma coisa a dizer: Parabens!!!
Sucesso sempre! :-)
Parabéns! Você merece todo o sucesso e reconhecimento que seu blog alcançou.
Percebo que você persegue os seus objetivos e leva uma vida coerente com suas aspirações. Isso é muito mais do que se pode dizer da maioria das pessoas.
Beijo grande!
Menina,
Nem te conheço, mas curto suas escritas.
Acho que está merecendo o Malla Bloggel da Literatura.
Abraço e parabéns pelos 5 anos de viagem com uma malla pelo mundo.
Lucia,
Parabéns pelos cinco anos. Admiro a sua persistência e sua dedicação.
Desejo, pelo menos, mais cinco anos e que continue sempre inspirada.
Beijos
Impossível deixar de comentar hoje! Minha falta de tempo e os problemas pessoais ficaram pequeninos depois de "viajar" no Malla Blogel!
Parabén, e mais 50 anos pela frente!
Sucesso, sempre!!!
Oba!
Parabéns! vc merece esse sucesso.
bj
ops! acho que tb faço 5 anos em outubro. somos quase gêmeos.
Assim como você, eu me desestresso escrevendo no Matraqueando. Adorei todas as suas compilações! Deviam virar livro! :-)
Malla
Parabens pelo seu blog, que ele continue por muitos anos!!!
Pessoal, valeu!! Acho q hj ainda continuo com a programação, rumo aos próximos 5 anos! :D :D :D
Um grande beijo a vcs tod@s, querid@s!
Parabéns Lucy, Viva seu espaço virtual onde esta mente brilhante e genial pode voar livre e compartilhar, com outras mentes lindas, suas idéias...
Tudo de bom sempre.
Bigfoot, O Pé Grande